A governança nas instituições de microfinanças é um assunto muito sério.
Não conseguindo pagar altos salários e tendo que reduzir ao máximo as despesas para assim conseguir pagar as contas e se possível ainda ter um pequeno superavit, as instituições de microfinanças sofrem.
Faz um ano e meio que o Banco do Povo descobriu um problema seríssimo de gestão de seus recursos. Para ter uma ideia do que houve, quando fechou-se o balanço de 2007, estávamos com um PL (patrimonio líquido) positivo de quase R$ 300 mil reais. Depois que descobrimos que o gerente geral e sua esposa, que controlavam o financeiro, manipulavam os dados para parecer que estava tudo bem, além de alguns beneficios privilegiados para o casal e após a auditoria, nosso PL foi para quase R$ 600 mil negativos.
Eram pessoas da total confiança do Conselho do Banco e formaram-se lá.
Para se ter a noção da seriedade da situação, a esposa estava grávida, foi mandada embora por justa causa, entrou na justiça, recorreu a todas as instâncias e perdeu todas.
O marido, esperto, saiu antes de que descobrissemos tudo.
O maior problema, estava no sistema. Hoje trocamos o sistema por um onde temos um controle maior e é totalmente impossivel uma pessoa manipular os dados e não ficar rastro da sua ação.
O sistema agora é ligado direto na contabilidade e auditoria e assim qualquer ação fora do costume fica alí registrada.
Quando tudo ocorreu, ligamos para diversas instituições de microcrédito para saber se já tinha ocorrido algo parecido e que providencias tinham tomado.
Qual nao foi o nosso espanto quando vimos que quase que na totalidade, todas já tinham passado por situação parecida.
Não sei como o Yunus faz em Bangladesh. Lá so tem sistema em Daka. No resto, nas aldeias é tudo registrado num caderninho todo sujo de terra vermelha.