EU JURO, by Tânia Machado

MINAS GERAIS

31 de maio de 2009
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Tenho um grande orgulho de ser mineira…
Tenho orgulho também de que em Minas as coisas não são pequenas…so conseguimos pensar grande.
Esta semana a Epoca publicou uma reportagem sobre o novo Centro Administrativo, exaltando que é uma obra de 1,2 bilhões…Ela esqueceu de dizer que não houve nenhum gasto orçamentário do governo com a obra. ela esta sendo realizada com recursos proprios de empresas ligadas ao governo.
A facilidade para se resolver todos os problemas do Estado num so local, das secretarias poderem interagir e se comunicar facilmente, das economias dos serviços comuns, tais como serviços gerais, compras, etc.
Agora quanto a ser uma obra grandiosa nunca feita no mundo. É isto mesmo…Aqui em Minas se temos que fazer, fazemos sempre o melhor e o mais bem feito. Não conseguimos pensar pequeno, por isto temos sempre grandes soluções.


CELULAR

30 de maio de 2009
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Tinha um número de celular há muito tempo que tinha um clone do meu número, so que do interior, e os parentes, amigos, sei lá mais o que quando vinham para Belo Horizonte ligavam para o celular dele, so que não colocavam o DDD, assim caia tudo no meu telefone.
E aí vinha: alô? quem fala? e eu…quer falar com quem? com o Marquinhos…e eu paciente respondia, este celular não é o dele. Como não é? não é o numero xxxxx? E eu sim, mas voce tem que discar o DDD da cidade dele. E os chatos do outro lado: mas eu nunca tive que fazer isto…
Esta briga, foi durante meses…
Até que eu resolvi levar na brincadeira.
Ai ligavam: Alô, me chama o Marquinhos…
eu calmamente respondia: Ih, desculpe mas estamos no banho…(um dia a mulher dele quase teve um troço!)
Ou então: não tá sabendo? ele foi preso…
Ou então: olha, ele foi pro motel e pediu para anotar os recados…
E assim por diante!
Acho que o tal de Marquinhos passou tanto aperto e teve que dar tantas explicações, que resolveu avisar para todos os amigos da necessidade de discar o DDD


BANCO DO BRASIL

30 de maio de 2009
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O Banco do Brasil tem sido um dos grandes parceiros nos últimos tempos…
Nas crises financeiras, nos momentos bons, na busca de solução para nossos problemas…
Tem uma coisa que nos incomoda que é eles trocarem nossos gerentes todos os dias, mas as ultimas “levas” tem sido boas.
Marcos Condé, Pedro Passos tem sido nossos últimos gerentes.
Estão todo o tempo conosco e no ano passado, com a crise que tivemos por causa da queda de patrocinio da Feira Nacional, se não fossem eles, não sei o que faríamos.
So continuo brigando com o sistema do Banco do Brasil (dos outros bancos são também todos iguais). Hoje a gente trabalha para os bancos com esta história de tudo pela Internet.
E quando a gente mais precisa deles…lá esta o sistema fora do ar.
Ai ligamos para o 0800…atende uma moça muito educada e a primeira pergunta que ela faz é: o seu computador esta conectado? Esta ligado na tomada? Da vontade de matar, pois no inicio nos trata como um imbecil…
Mas o Pedro me conheçe…não converso com o computador e nem com as atendentes…temos até uma forma de comunicar a urgencia. Quando ligo para o celular dele uma vez e ele não pode atender, no mais tardar ele me retorna.
Quando ligo umas duas ou tres vezes seguidas…é porque o assunto é urgente…


MOBILIADORES – COEP

30 de maio de 2009
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Esta semana participei de uma oficina on line com um grupo de mobilizadores do COEP.
Foi interessante por ver que o Brasil realmente é todo igual…
Os mesmos problemas que encontramos com os artesãos não associados a Mãos de Minas, vemos que artesãos de todo o Brasil não tem nada de diferente um do outro.
Comercialização que eles encaram como problema e não como solução…
Colocar o preço nas peças, quando sabem que esta fora do mercado mas insistem em colocar…
Uma coisa é boa…Todo mundo tem a consciencia de que precisamos nos organizar para que assim possamos reivindicar mais pela classe artesanal…


PROJETO SENAES

27 de maio de 2009
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Sexta feira agora, estará terminando o projeto Senaes (aquele dos meninos do Morro do Papagaio).
Foi um grande aprendizado tanto para os meninos quanto para nós a realização deste projeto.
Foram inicialmente 60 meninos, que estamos finalizando agora com 49.
Já comentei antes sobre o posicionamento deles quanto ao preconceito. Quando ficavam perguntando se não iamos colocar a segurança para vigiá-los, se não iamos vistoriar a mochila deles, etc. Decidimos então leva-los ao shopping mais chic de BH, onde fizeram uma pesquisa de mercado. Foi tudo muito bem lá. Os lojistas os receberam com o maior respeito, lhes deram informações. No Edburguer que patrocinou o lanche, servidos na mesa por garçons, eles ficaram encantados e teve um caso de uma menina que comeu somente e metade do sanduiche. quando o garçon perguntou se ela não tinha gostado, ela respondeu…não, adorei, mas quero levar a metade para minha irmã, pois ela é menor do que 14 anos e não pode participar do projeto…O garçon informou…pode comer que te dou outro prá voce levar pra ela…e entregou um numa caixinha do Edburguer linda com um sanduiche dentro!
Agora, o único preconceito que eles sofreram lá voces não imaginam de quem: dos lixeiros…quando chegaram o comentários dos lixeiros foi: ihhh lá vem estes favelados!
Dos 49 que estão encerrando o curso, uns 15 a 20 vão continuar a produzir conosco, mas o que é mais importante, todos, sem excessão, nunca mais serão os mesmos…a participação no programa vai mudar para sempre as suas vidas. Durante 50 dias terem sido tratados como cidadãos, foi de suma importância para a sua personalidade.
Dos 49, com certeza tínhamos pelo menos uns 30 “aviões” (meninos que fazem entregas de drogas para clientes da Zona Sul). Destes, dificilmente algum vai voltar para a droga. Agora eles sabem que tem outros caminhos que podem seguir com dignidade.
Agora, neste dias, o Centro Cape virou o centro do RAP. Como as discussões dos sentimentos do que estava acontecendo nos cursos estava ficando cada dia mais dificil, resolvemos que eles iam se manifestar através do RAP. Foi a abelha no mel…é gente cantando pela casa o dia todo…


GUSTAVO MAGALHÃES

27 de maio de 2009
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Vou dar uma pulada rápida para 2003 ou 2004, mas é que hoje estive com o Gustavo e não posso deixar de falar nele.
NO conhecemos no inico do Governo Aecio, quando estávamos tentando que o Estado nos cedesse a Casa do Conde onde queríamos fazer lá um grande centro de artesanato.
A partir dái, nao larguei mais do seu pé (coitado… rsrsrs).
Gustavo é meu esteio…Sei que sou briguenta, sou passional, não escondo isto de ninguém e acho que se não fosse assim, a Mãos de Minas, apesar de todo o esforço da familia Neves, já teria acabado.
Gustavo hoje, é Chefe de Gabinete do Dr. Anastasia, e tem sido meu grande conselheiro. Tenho total liberdade de falar com ele todos os meus sentimentos profissionais, estando certos ou não, sendo pesados ou leves, e é uma pessoa que me sinto bem.
Com toda a sua educação, ele sempre arruma um jeito de me falar o melhor caminho e a melhor forma de agir.
Tenho confiança plena nele. Tudo o que me diz, mesmo que nao concorde, faz parte de minhas meditações e tento entender que como ele me quer bem (tenho certeza disto), ele não envolve o seu posicionamento profissional politico com os seus conselhos ou direcionamentos.
Ás vezes ele já foi meu porta voz para o Vice Governador Dr. Anastasia, que também, nunca deixou de me responder, mesmo quando mandou recados que era para que me acalmasse e cuidasse das coisas com menos passionalidade.
São dois bons amigos que tenho…como já disse amigo não é aquele que fica te puxando o saco o tempo todo. Amigo é aquele que é sincero, mesmo que na sua sinceridade tenha que discordar de voce.


A TURMA DO BANCO DO BRASIL

27 de maio de 2009
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O pessoal do Banco do Brasil foi importantissimos para o crescimento do Centro Cape.
Quando começamos a operar a Sala do Empreendedor achávamos que os gerentes do BB tinham raiva de pobre e nem queriam conversar com eles.
Com o passar do tempo fomos entendendo que não era por aí.
Vejam bem…os recursos do Proger eram repassados via agências do BB (tinha também a o BNB, CEF e BAM), mas o risco do empréstimo era todo do Banco, ou seja, se o cliente não pagasse o banco tinha que pagar e ficar com este passivo. Além do mais, cliente de pequenos créditos dá trabalho…ele nao tem controles, não tem noção de seus custos, não tem noção de quanto gasta e quanto ganha…a única coisa que ele sabe é que esta sobrevivendo…
Assim o gerente não fazia da clientela do Proger seu cliente preferencial. ele impactava negativamente nos seus resultados. Enquanto um cliente normal, fazia aplicações, comprava seguros, fazia poupanças…o cliente do pequeno crédito so chorava e não conseguia passar informações.
Assim nos entramos…passamos ser de uma forma profissional o porta voz desta clientela, Passamos a entregar projetos redondinhos com garantias de pagamento e mais…acompanhávamos o cliente até o final…Se ele tinha problema, estávamos junto.
O pessoal que recebia os projetos para a análise (esqueci o nome do departamento…olha o alemão ai…)no príncipio tinha a maior desconfiança. Com o tempo fomos nos respeitando…nos a preocupação deles…eles a verem que estávamos fazendo um trabalho sério.
Teve um caso muito engraçado. Todos os projetos de iniciação de negocio eram negados…Fomos perguntar por que os “negocios futuros” estavam sendo todos negados. E a resposta foi: é que nas normas do banco, negocio futuro tem que ter 6 meses de existência. Respondemos, MAS COMO? se já tem seis meses de existência não é futuro, é existente!
Foi uma luta para mudarmos a regra…mas conseguimos.
Não vou citar nenhum nome aqui agora, pois sei que vou esquecer pessoas importantes. Vou pedir ao Valdir para me lembrar os nomes e depois eu publico…


VALDIR OLIVEIRA

25 de maio de 2009
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Valdir era responsável pelos projetos da Fundação Banco do Brasil com recursos do Ministério do Trabalho, oriundos do FAT.
Tínhamos um relacionamento com o Banco do Brasil – Agência Carijós, com um gerente geral (que esqueci o nome, quando lembrar volto e publico, ok?) no financiamento a artesãos.
Ele então nos chamou para discutir um projeto de levar o financiamento para os clientes do Proger, através das agências do Banco do Brasil, via Fundação Banco do Brasil.
Fomos então a uma reunião na Superintendencia do Banco na Rua Rio de Janeiro, onde lá estavam, se não me engano, o Valdir, o Rabelinho e o Romano. Quando foram explicando o que queriam, eu fui desenhando o projeto na minha cabeça e passando pra eles…Mas aquilo era muito maior do que já tínhamos executado. Tínhamos a competência, mas não tínhamos a experiencia de aplicação em larga escala.
Da cintura pra cima, eu estava perfeita…firme e decidida, mas da cintura pra baixo, debaixo da mesa, minhas pernas tremiam que nem vara verde…
Começamos então o projeto. Nós ficamos responsáveis por Minas Gerais e Brasilia e a Universidade pelo Paraná e uma cooperativa, que não me lembro o nome pelo Rio de Janeiro.
Quando chegou janeiro, tinha que haver um tempo para que a Fundação Banco do Brasil renegociasse o projeto com o MTE e aí informaram que iam suspender. Me recusei a faze-lo e disse que iria bancar o projeto até que eles retomassem. Brincava na epoca com o Romano de como uma Ong estava financiando o Ministério e o Banco do Brasil. Os outros parceiros do Paraná e Rio abandonaram o projeto…
Depois que eles retomaram me recompensaram pelas minhas perdas, mas o importante não era tão somente o dinheiro, mas o projeto em si que era e foi fantástico: foram mais de R$ 1 bilhão, isto mesmo UM BILHÃO, que emprestamos para mais de 100.000 pessoas neste Brasil.
Mas voltando ao Valdir, ele foi e é um amigo especial. Vivemos muitas coisas juntos…E foi amigo de verdade, daqueles que quando tem que “quebrar o pau”, quebrava…Quando tinha que elogiar…elogiava…nunca me deu moleza (e eu também nunca dei…rsrsrsrs). Amigo pra mim é assim mesmo…Aqueles que ficam o tempo todo elogiando e falando um monte de baboseira pra mim não é amigo. Não sou perfeita! Tenho falhas e muitos erros (graças a Deus…acho que perfeição deve ser um saco!…) e ele quebrava o pau…como ele também não é perfeito eram brigas homéricas, mas que cada dia mais fortaleciam o nosso relacionamento.
Agora, por causa das boas coisas que fez junto a Fundação, quando da nova gestão ele foi quase que perseguido e quando vemos que no projeto da Fundação Banco do Brasil – Sala do Empreendedor, operamos mais de R$ 20 milhões de reais e nunca nos beneficiamos nem com um chopp numa conta de restaurante, às vezes chego a questioná-lo: nao devíamos ter sido tão honestos…
Mas o Valdir tem o mesmo problema que eu: SUA MÃE.
A mãe dele igual a minha nos ensinou a ser FIEL, ser HONESTO e ser TRABALHADOR.
Valdir, quem sabe na próxima encarnação…nesta cara, vamos continuar a ser honestos, fieis e trabalhadores, nao conseguiremos ser outra coisa…
Vamos entao continuar com este nosso ideal de tentar fazer deste país um pais melhor de se viver, principalmente para o nosso público alvo…
Obrigada por me manter como sua amiga…


PATRUS ANANIAS

25 de maio de 2009
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Tinha escrito antes que não lembrava de ninguém no período de 91 a 98. Cometi uma grande injustiça.
Chama-se Patrus Ananias. Ele foi o único Prefeito que realmente ajudou a Feira Nacional de Artesanato e a Mãos de Minas.
Em 1996 e 1997, ele, entendendo a importância da Mãos de Minas e da Feira, nos deu isenção no ISSQN, colocou a Belotur a disposição e a Secretaria de Abastecimento, quando tentamos reerguer o Mercado Distrital de Santa Tereza (não conseguimos por conta dos feirantes e não por conta dele).
E, não mandou ninguém fazer. Discutiu o projeto pessoalmente. De lá, até 2008, nenhum outro Prefeito nos ajudou. No final de 2008, num pedido do Marcio Lacerda a Prefeitura nos deu isenção e este ano também.
Agora quanto ao Patrus, sempre que precisei falar sobre este ou aquele assunto, ele estava a disposição. Sempre falei que ele me passava a sensação de uma pessoa boa e pura. Tanto que, quando o Lula o nomeou para o Ministério do Desenvolvimento Social eu disse: o Lula fala que é amigo do Patrus, mas não é…Ninguém coloca um amigo numa situação desta…(na época o MDS estava na maior confusão, cheia de escandalos…). Mas ele, com sua pureza, conseguiu colocar o Ministério em ordem e tocar o Bolsa Familia sem maiores alardes.
Não acredito em partidos…acredito em pessoas… o Patrus é um cara que acredito.


VALDIR OLIVEIRA

25 de maio de 2009
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Tenho um amigo, Valdir, que ta doido para chegar em 1998, quando nos conhecemos!
Calma Valdir, ainda estou em 1994/95, já já chego lá…(apesar de estar fazendo a maior confusão com as datas…, mas vou corrigindo…rsrsrs)
Beijos,

Tãnia


A TRISTE HISTÓRIA DE ILZA

24 de maio de 2009
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Não lembro mais o ano…Mas foi na época do Governo Eduardo Azeredo.
Fomos chamados a ajudar na Feira das Nações que é realizada em Brasilia todos os anos e tem a participação de todos os estados.
Resolvemos fazer um espaço onde tínhamos o artesanato e vida rural e do outro lado nossas indústrias.
No espaço das indústrias apresentávamos vídeos e produtos finalizados.
No espaço do artesanato, fizemos como se fosse uma fazenda e queríamos colocar uma vaca na entrada.
Como o Pimenta da Veiga tinha uma fazenda perto de Brasilia, pedimos que nos cedesse a vaca e assim ele mandou a ILZA.
O problema começou antes dela chegar. O stand do lado, quando ficou sabendo que teríamos uma vaca, chamou a Vigilância Sanitária para proibir que a trouxéssemos, pois eles iam fazer alimentos e isto poderia prejudicar. Depois de muita discussão, fizemos um acordo de que Ilza não iria ficar lá nos horários de almoço e jantar.
O segundo problema foi quando do desfile…Não havia ninguém que conseguisse fazer Ilza desfilar…desistimos nos primeiros 10 metros.
Pouco depois, chegou a Secretaria da Fazenda. Pediu as notas fiscais dos produtos, que imediatamente entregamos. Passadas umas duas horas, me procuraram dizendo que estavam faltando Notas Fiscais. Como tínhamos certeza de que tudo tinha ido com nota, questionamos…então eles disseram: esta faltando a Nota Fiscal da vaca!
O caminhão que tinha trazido a Ilza tinha ido embora e levado a Nota Fiscal com ele. Explicamos a situação e eles falaram que não podiam aceitar e que tinham apreender Ilza ou aplicar uma multa…
Disse então que fizessem a autuação em meu nome e que me dessem a guia que eu ia pagar (não queria que ficasse em nome do Pimenta da Veiga que so estava tentando ajudar…).
Neste interim, chegou a assessoria do Governador que ficou sabendo do caso…
Enquanto os fiscais preenchiam a documentação da multa, chegou uma senhora perto de mim e disse que queria falar comigo…Pedi que esperasse pois eu estava resolvendo um problema, mas ela imediatamente começou a falar dizendo que era da Sociedade Protetora dos Animais e que queria reclamar, pois a Ilza estava muito estressada…nesta hora perdi a paciência e disse a ela: olha minha senhora, por favor proviencie um psicologo para desestressar a Ilza e aproveite peça um pra mim também, pois eu também estou quase enlouquecendo por conta dela.
Virei as costas, peguei a guia da multa e estava me dirigindo ao posto bancário quando a assessoria do Governador me chamou e disse que não era para pagar a multa! Peguei a guia e devolvi aos fiscais, dando a informações que tinha recebido ordem de não pagar.
Nisto chegou o Governador Eduardo Azeredo, que tinha recebido um telefonema do Cristovao Buarque – Governador do DF na época que garantiu que ninguém ia tocar na Ilza!
Dai a pouco me chamam e era um Senador por Brasilia, o Secretário da Fazenda e um General ou Coronel (não lembro) com um dinheiro na mão e a Guia da multa, me pedindo que, para resolver a questão, eles estavam me dando o dinheiro para pagar a multa! Disse a eles que a questão não era financeira, mas tinha se tornado política e tinha recebido a ordem de não pagar, de forma que se eles quisessem que fossem lá pagar.
Fui então cuidar de outras coisas e esqueci o assunto…
De manhã bem cedinho no hotel, me ligam dizendo que a Ilza tinha sumido (e eu era a fiel depositária dela, frente a Secretaria da Fazenda)! Pensei: to presa! Sai buscando informações sobre o que tinha acontecido e no final a solução política que deram foi: como não cumpri a determinação da Vigilância Sanitária de tirar a Ilza no horário do jantar (nem podia, pois a Secretaria da Fazenda não permitia tirá-la de lá sem Nota Fiscal), a Vigilância Sanitária a recolheu e mandou entregar na fazenda do Pimenta da Veiga…
Como disse uma reportagem na época sobre o assunto: A política aVACAlha a melhor das intenções…


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MARCIA MARTINS ALVES

24 de maio de 2009
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Márcia era Diretora de Micro e Pequena Empresa do MDIC em Brasília e coordenava também o PAB.
Ela acreditava no empreendedorismo e nas formas de atuar do Centro Cape.
Trabalhava que nem uma doida, pois a equipe do MDIC era mínima e o orçamento, principalmente para o artesanato menor ainda.
Fizemos alguns projetos para a formação de competências nos estados, de forma que eles trabalhassem junto com os artesãos locais o modelo Mãos de Minas.
Mas, eram poucas as coordenações estaduais que assimilaram o que queríamos fazer. Era uma fase de transição nacional de artesanato, transformando projetos sociais em projetos empresariais e os estados não compreendiam muito isto, tratando o artesão como um eterno dependente.
A pressão dos estados em cima da Márcia para a não realização do projeto era enorme, mas mesmo assim ela lutou pelo programa de empreendedorismo por três anos…
Teve um caso que não me esqueço. Recebi de uma coordenadora estadual um email que dizia: “estou te mandando um relatório fictício para que você me libere o pagamento”. Imediatamente respondi: “ok, recebi o relatório fictício e estou te mandando um pagamento fictício”. Ela ficou uma fera e foi pessoalmente ao Ministro fazer uma reclamação! Disse ao Ministro que eu não respeitei uma determinação dela!
A Márcia não sabia do que tinha acontecido, e me chamou. Mostrei para ela os emails informando que se recebesse a ordem para pagamento eu preferiria devolver o convênio, pois não iria cumprir uma determinação desta.
Evidente que ela me deu razão…
Teve um outro caso quando recebi a visita de um auditor que queria discutir uma despesa de R$ 1,75 (isto mesmo! R$ 1,75).
Existia um consultor em São Paulo que era vegetariano e ao invés de pagar despesas com refeições em restaurante, ele pediu autorização para comprar feijão no supermercado e fazer a sua própria comida. Evidentemente autorizamos.
Na prestação de contas esta notinha foi expurgada e o auditor pegou um avião em Brasília e veio a Belo Horizonte para discutir o valor.
Recusei-me a fazê-lo…Pedi que me desse o número da conta corrente que deveria devolver o dinheiro, pois isto ficaria muito mais barato fazer o depósito do que perder tempo com discussões, explicações, relatórios, para justificar um valor de R$ 1,75.


ROBERTO CORREIA LIMA – 1989

23 de maio de 2009
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Roberto trabalhava no BID, na área de pequenos projetos. Começamos a conversar com ele em 1990 para iniciar um processo de financiamento a Mãos de Minas.
Demorou mais tres anos para os recursos saírem, mas neste tempo a convivência com o Roberto foi muito boa já que ele era (faleceu há uns tres anos atrás) uma pessoa que também gostava muito de artesanato e acreditava que era um excelente caminho para a geração de emprego e renda.
Como estávamos começando e não tinhamos nenhuma experiência na formatação de projetos, ele fez quase tudo sozinho e viabilizou que conseguíssemos um empréstimo de U$ 500.000, mais U$ 150.000 de cooperação técnica.
Este recurso fez com que em 1999 criássemos o Banco do Povo, comprássemos o nosso caminhão para transporte de produtos, criássemos o Fundo de Comercialização que existe até hoje e informatizássemos a Mãos de Minas.
O financiamento do BID foi o grande salto para o fortalecimento da Mãos de Minas.
Eu, quando agradecia ao Roberto o apoio, brincava com ele que eu queria escrever não sobre os acertos do projeto com o BID, mas com os erros que cometemos. Como nunca havíamos tido tanto dinheiro em nosso poder e tinhamos a prática da economia, acabávamos fazendo economias que diria “porcas”, pois na parte de consultoria, ao invés de contratarmos o melhor do mercado, substituiamos por estagiários para ter mais gente. Resultado, gastávamos pouco, mas não conseguíamos os resultados esperados, pois os estagiários não tinham a bagagem de conhecimento que necessitávamos.
Depois que o Roberto saiu do BID, ele passou a dar consultoria ao BNDES no projeto de microcrédito. Também lá tivemos ótimas reuniões quando o BNDES passou a atuar no microcrédito…


Eberhard Peter Baerenz – 1990

22 de maio de 2009
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1991 foi um ano de grandes realizações. Neste ano ficamos conhecendo o Baerenz, um alemão que morava no Brasil trabalhando num projeto da GTZ junto a Setascad, dentro do programa Prorenda e sua tarefa era introduzir a metodologia CEFE no Brasil.
Fomos atras dele porque naquele ano começamos nossa negociação com o BID para um financiamento ao Mãos de Minas, no fortalecimento institucional e precisávamos de informações socio economicas de Belo Horizonte e o pessoal da Setascad disse que ele tinha (pooodeeee!!! um alemão que ia nos fornecer os dados!!!!).
Quando começamos a falar com ele sobre quem éramos e o que fazíamos, seus olhinhos começaram a brilhar, pois ele estava justamente procurando uma instituição organizada onde pudesse testar a metodologia CEFE e éramos perfeitos.
Aceitamos imediatamente a função de cobaia, sem saber que daquele momento em diante nunca mais seríamos os mesmos. A introdução da metodologia CEFE mudaria definitivamente o rumo das nossas vidas.
Realizamos o primeiro curso de Criação de Novos Negocios na metodologia CEFE e daí para a realização de formação de facilitadores, adaptação da metodologia a outros públicos, criação do Centro Cape, Banco do Povo e outras ações foi um pulo.
No final de 1991 o Baerenz voltou para a Alemanha, hoje além da sua empresa a Delta, ele é o Presidente do CEFE Internacional, mas no mínimo uma vez por ano vem estar conosco trabalhando e inovando cada vez mais a metodologia CEFE.


1990 – NADA A DECLARAR

21 de maio de 2009
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Com excessão de ter sido o ano que conhecemos o Baerenz, 1990 acho que não tenho nenhum outro amigo a declarar (pelo menos não vem nenhum na memoria).
Por causa do Plano Collor, nos, como todos os brasileiros, ficamos com 50 “moedas” nas mãos e estagnados, sem reação para nada.
Até a Feira Nacional não aconteceu naquele ano, pois ninguém sabia o que vinha pela frente…
A única coisa boa que aconteceu foi que, em virtude da penuria financeira que estávamos, convocamos uma assembleia da Mãos de Minas para ver o que faríamos – se fechávamos ou se continuávamos…
Resultado, naquela data o Conselho Deliberativo decidiu que os artesãos associados, além da mensalidade, deveriam fazer uma doação sobre os valores emitidos nas Notas Fiscais via Mãos de Minas e determinaram o percentual de 3%.
A decisão daquela época é que dá sustentabilidade a Mãos de Minas e permite que consigamos manter a estrutura hoje existente.
É isto mesmo…das grandes crises é que vem as grandes soluções…


YVES ALVES – 1989

21 de maio de 2009
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Yves era Diretor da Rede Globo Minas e era um apaixonado por artesanato (ele faleceu há alguns anos atras em Tiradentes, onde estava residindo) e em 1989 resolvemos fazer a I Feira Nacional de Artesanato. Não tinhamos nenhuma noção de como fazer uma feira e nem dinheiro para pagar midia.
O máximo que conseguimos com recursos próprios foi colocar umas faixas de pano nas ruas.
Procuramos o Yves e ele imediatamente mandou fazer um VT (por conta da Globo) e fez para nós diversas inserções gratuitamente na Rede Globo. Foi a única midia descente que tivemos…
Se não tivessemos tido a ajuda dele, possivelmente a feira teria sido um fracasso e hoje não estaríamos realizando a XX Feira Nacional de Artesanato (era para ser a XXI, mas em 1990 não realizamos por causa do Plano Collor, outro dia conto sobre isto).


EMBAIXADA DO CANADÁ – 1989

21 de maio de 2009
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Em 1989 conseguimos nosso primeiro convenio internacional. A Embaixada do Canadá nos fez uma doação de 20.000 dólares canadenses quando foi que montamos nosso primeiro Fundo de Comercialização de apoio ao artesão, utilizando os recursos para adiantar para ao artesão os valores correspondentes aos produtos deixados em consignação.
Este recurso, gerou um caso que hoje achamos muito engraçado, mas na época foi um terror.
Um dia, achamos uns produtos que estavam sendo “atravessados” por umas pessoas em Pedro Leopoldo e correndo atrás vimos que eram produzidos pelos presos do presidio de Ribeirão das Neves.
Resolvemos então ir ao presidio para conversar direto com os presos-artesãos. Fomos eu e a Claudinha Moura.
Sem avisar chegamos lá, batemos literalmente na porta e dissemos que queríamos falar com os presos que fabricavam artesanato.
Sem nos pedir nenhum documento nos deixaram entrar, somente pedindo que deixássemos as bolsas na entrada. Pegamos cartões de visita (nem sei o por que!!!), cigarros, dinheiro vivo e lá fomos nós para o tal de pavilhão 10.
O monitor que nos atendeu nos acompanhou, e eles tinham afastado todos os outros presos (mais ou menos uns 500) para o pavilhão de cima (que ficavam gritando de lá em coro: tesão, gostosas!!!) e no pavilhão 10 so ficaram 6 presos que faziam uns artesanatos de gosto duvidoso, mas como estava ficando nervosa com a situação, resolvemos comprar tudo o que ofereciam para ir embora de vez daquele local…
Na saída, perguntamos ao monitor se o diretor do presidio estava lá e ele disse que sim, então resolvemos visitá-lo. Chegando na sua sala, nos apresentamos e falamos que estavamos vendo a questão dos artesanatos fabricados pelos presos.
Como sentimos que o diretor estava aberto a uma conversa, falamos com ele:
– dr. Diretor, a condição de produção dos presos é muito ruim e relatamos algumas situações da produção(por exemplo: não havia lixa e eles lixavam as rodinhas dos carrinhos no cimento da cela).
– ele respondeu: como voces ficaram sabendo, estiveram aqui no sábado, dia de visita?
– respondemos: não, estávamos agora lá no Pavilhão 10
– e ele: COOOMMMMOOOO???? se dirigiu ao monitor e perguntou: quem as levou lá? e o monitor cinicamente respondeu: não sei não senhor…so vim traze-las aqui!
– eu então disse: realmente achei estrando, ninguém me revistou, não pediu minha identidade. Poderia estar levando drogas ou armas que ninguém ia ficar sabendo…
– e o Diretor: Minha senhora, o caso nem é tão somente este. A Sra. sabe quantas mulheres já estiveram no Pavilhão 10? Nenhuma! Nunca uma mulher entrou no Pavilhão 10! Se alguém chegasse aqui agora na minha sala dizendo que tinham duas mulheres sendo seviciadas no pavilhao10, sabe o que eu iria fazer? Nada. Iria embora pra casa, pois era totalmente impossivel que isto acontecesse…
Se o pânico já era grande, ficou pior ainda…Tratei de me despedir, agradecer e ir embora…
Chegando em Belo Horizonte, procurei uma amiga que era delegada e contei o caso, pois queria fazer uma denuncia. Ela então me disse: Tânia, agradeça a Deus voce ter saido de lá com vida…O monitor te levou lá, pensando em acontecer alguma coisa e com isto normalmente quem cai numa situação desta é o diretor…esqueça o assunto.
Assim tentei fazer, mas com o tempo recebia ligações dos presos dizendo…olha D. Tânia, sou o 12541, ou 8714 e assim por diante. Falei para eles que ia continuar ajudando, mas que nunca mais poria os pés no presidio…compramos ainda durante muito tempo.
Passado alguns anos, recebo uma visita na Mãos de Minas e a recepcionista me falou que era um egresso da Penitenciária que queria falar comigo! Mandei que entrasse e ele me falou uma fraze que nunca mais esqueci. “Dona Tânia, fui preso por assassinato e fiquei lá por 8 anos, 9 meses e 17 dias…neste tempo que estive lá a sra. foi a primeira e única a me tratar com dignidade e como gente (nesta hora pensei: ah meu Deus…vai me pedir emprego…). Sai tem duas semanas e ninguém esta disposto a me dar emprego. Preciso de um dinheiro para voltar para minha familia no interior e so a sra. pode me ajudar…
Fiquei tão feliz que ele não queria emprego que imediatamente dei para ele o dobro do dinheiro que ele me pediu.
Todo mundo ficou rindo de mim por ter sido enganada, já que diziam que ele deu um golpe.
Passados alguns meses recebi uma carta dele me agradecendo, dizendo que estava bem e junto com a familia no interior do estado e tinha retomado a sua vida…


STEFAN SALEJ – 1989

20 de maio de 2009
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Conheci o Stefan quando ele foi eleito para a Presidência do Conselho Deliberativo do Sebrae, logo que tinha sido transformado de CEAG para Sebrae.
Ele chamou a Mãos de Minas e disse que gostaria de ver como poderíamos trabalhar juntos, já que ele acreditava muito no modelo de auto gestão do artesanato e dos serviços oferecidos.
Lembro bem que ele contou que quando chegou ao Brasil, me parece que seu pai fazia embutidos para vender e ele ajudava nas vendas nas filas de onibus sem nenhum apoio e que se, na época existisse a Mãos de Minas, ele talvez teria tido mais sucesso.
Aprendi muito com o Stefan…Aprendi a ousar, a acreditar no nosso potencial. Aprendi que se voce acredita no que quer deve levantar a cabeça e ir atrás de seu ideal.
Uma vez ele adquiriu um stand para a gente na FENIT (a maior feira da moda que acontecia no Brasil na época) e fomos nos com um stand de 9m2 com montagem básica, perto daqueles stands gigantescos com montagens de Hollywood. Voltei e falei para ele que não queria voltar mais, pois a gente era pequeno demais para aquele ambiente. Ele disse: Tãnia, se voce não pensar grande as pessoas nunca vão te valorizar…
Na criação do Centro Cape em 1994 ele foi fundamental. Apesar da expectativa dele era outra (na epoca ele já tinha na cabeça a criação da Escola Gerencial do Sebrae e ele queria que a gente pensasse no assunto, mas não captamos a mensagem dele). Mesmo assim, ele nos ajudou, fez com o recem criado Centro Cape um convênio de prestação de serviços em treinamento que nos viabilizou a implementação do Centro Cape. Nos deu a oportunidade de realizar o I Salão de Oportunidades do Sebrae que nos deu visibilidade.
Em 1991, foi a primeira instituição que patrocinou a Feira Nacional de Artesanato.
Durante o tempo que esteve a frente do Sebrae, nunca nos negou ajuda, mas as cobranças eram implacáveis. Nunca nos deu moleza. A cada ajuda ele lembrava que éramos EMPRESÁRIOS, empresários da área artesanal, tudo bem, mas tínhamos que ter sempre a postura de empresários.
No Encontro Mundial CEFE que realizamos em 1996 no Brasil ele já estava na Fiemg e também nos ajudou cedendo o Nansen Araujo para que o evento acontecesse. A realização deste encontro deu ao Centro Cape a chance de ser declarado o Centro de Referência da metodologia Cefe para os paises de lingua portuguesa.
Tive muitas brigas com ele, algumas sérias, outras menos. Todas vezes que brigávamos eu lembrava a ele que estava aplicando justamente seus primeiros ensinamentos que “se acreditamos nunca coisa devemos ir até as últimas consequências para atingí-las, mesmo que para isto tivéssemos que brigar com os amigos”.
Hoje ele esta morando na Europa…algumas vezes vem ao Brasil e pouquissimas vezes a gente se encontra. Tenho saudades de nossas brigas, rsrsrs


MARIA ELVIRA SALLES FERREIRA – 1988

20 de maio de 2009
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Maria Elvira sempre foi uma grande aliada do artesanato. Pessoalmente ela tem uma paixão por produtos artesanais e tem uma grande coleção em todas as linhas. No primeiro Governo Aecio Neves, quando ela foi Secretária de Turismo o seu gabinete era uma grande homenagem aos artesãos, principalmente mineiros.
Fazia questão de levar presentes artesanais ou mesmo peças para decorar os stands de divulgação do turismo mineiro, fosse onde fosse…
Por isto, em todos os lugares que ela esteve, o artesanato era o carro chefe. Na Newton de Paiva haviam galerias, nos seus comitês, na sua casa (o apartamento de Brasilia é todo decorado com artesanato).
Nunca faltou a uma Feira Nacional, inclusive no ano que havia feito uma cirurgia, mesmo com dificuldade de andar lá estava ela.
É muito bom ter a Maria Elvira como Amiga do Artesanato, pois sabemos que esteja ela onde estiver, ocupando ela que cargo for, se precisarmos da sua ajuda ela estará seguramente disposta a defender a nossa bandeira.


SERGIO NAYA – 1988

20 de maio de 2009
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Sei que o ex deputado Sergio Naya já foi criticado por todos os lados por milhares de pessoas…
Mas não posso de deixar de colocá-lo na lista de Amigos de Artesanato, pois apesar de tudo o foi publicado contra ele, no artesanato ele muito nos ajudou.
No período de março de 1988 a outubro de 1988, foi ele quem pagou o aluguel da Mãos de Minas na nossa primeira sede que foi na Rua Felipe dos Santos, num sobrado perto da Praça Marilia de Dirceu, onde com as doações de móveis e estantes feitas por nós mesmo funcionou a Mãos de Minas, até fevereiro ou março de 1989.
Todas as vezes que íamos a Brasilia e tinhamos que permoitar, ele nos dava a hospedagem gratuitamente no Hotel Sant Paul. Nunca nos pediu nada em troca…nem voto.
Foi neste primeiro espaço que começamos a nossa trajetória de auto sustentabilidade. Lembro-me do Pedro Paulo – um artesão que fazia bonecas e garimpava ouro nos intervalos. Da Claudia Kaike que fez as primeiras estantes, e muita gente mais.
O Estado cedia também funcionários para nos ajudar, mas a qualidade não era lá estas coisas…pois não podíamos escolher, era quem quisesse ir.
Teve uma funcionária que foi ajudar na loja, que quando não conseguia vender os nossos produtos, tentava vender Avon, se não conseguia tentava passar uma rifa. Se não conseguia nenhum dos tres pedia uma carona até em casa.
Tinha outra que vivia chorando e a gente não entendia o motivo. Quando um dia fui perguntar, aí notei que ela estava com um livro, destes de bolso, no colo e então ela respondeu entre lágrimas…esta historia é triste demais…
Tinha um, que vivia no banheiro com jornal…então um dia pedi a ele que me ajudasse a elaborar um projeto e lhe disse…pense em alguma coisa…ele respondeu, sinto muito, mas meu salário é tão pequeno que não me permite pensar…
Mas teve muita gente boa também…A Claudia Moura, que esta conosco até hoje, a Telma Lins que ficou uns 6 ou 7 anos até aposentar , a Maria Luiza que ficou também uns 10 anos.


BRINQUEDOTECA – SERVAS

19 de maio de 2009
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Andrea Neves e Diretoria do sincsfac

Andrea Neves e Diretoria do sincsfac

Acabo de chegar do Servas, onde tive uma reuniao com a Dra. Andrea Neves – Presidente do Servas – entidade de assistência social do Governo do Estado de Minas Gerais, para tratar de assuntos referentes ao artesanato e desenvolvimento local.
Não tem uma vez que vou até lá que não saio encantada com o que vejo.
Primeiro presenciei o Sindicato das Facções (acho que é isto mesmo…) fazendo uma doação de milhares de cobertores de excelente qualidade que serão repassados pelo Servas para os projetos apoiados e pessoas necessitadas.
Depois estive com a Raquel e a Odete e elas estavam me mostrando o projeto Brinquedoteca. Gente, vale a pena ver e quem puder ajudar (nem sei se eles estão precisando de ajuda…). Quando se fala em brinquedoteca para escolas, hospitais, creches…pensa-se em uma grande caixa cheia de brinquedos que foram doados aleatoriamente e depois agrupados de forma que caibam dentro das caixas…Mas não. É um carrinho formado por lindas caixas de dois andares, com abertura em todas laterais e lá ta tudo organizadinho: televisão, video, videoteca, biblioteca, brinquedos…todos com o cuidado de que os materiais sejam de excelente qualidade. Os puffs para as crianças deitarem ou sentarem para brincar são de materiais laváveis e de fácil manutenção.
Realmente a forma que a Dra. Andrea Neves cuida dos projetos do Servas é unica…Não existe a preocupação com a quantidade – quanto mais for melhor, mas o mais importante é que quando viabilizado tenha realmente qualidade em todos os sentidos e durem uma eternidade.


MARIA OLIVIA – 1988

19 de maio de 2009
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Maria Olivia era a Presidente da LBA no Estado de Minas Gerais.
Foi ela que viabilizou o primeiro convênio com a Associação Mãos de Minas. Era uma projeto que se chamava Micro Unidades Produtivas. Foi um convênio pequeno que depois com a gestão de Vera Coutinho foi ampliado.
Tratava-se do financiamento ao artesão e ele pagava a LBA com produtos. A ideia era boa, mas o artesão nem sempre entendia o espírito da coisa.
Lembro um dia que fui a casa de um artesão e ví um monte de bonecas jogadas num canto. então perguntei: o que são estas bonecas?…ele respondeu…estas estão com defeito…então retruquei: mas voce pode consertá-las ou na pior das hipóteses aproveitar o material…ele respondeu…não, não se preocupe…elas servem para pagar a LBA!
Fiquei enfurecida com a falta de respeito, pois era um recurso praticamente a fundo perdido pois o artesão recebia o dinheiro, e devolvia em produtos ao preço do dia que pegou o emprestimo, sem juros e correção monetária para a LBA, numa epoca de inflação de dois dígitos e ele não se preocupava com a qualidade do produto para o pagamento.
Tanto que, quando o convênio foi renovado na gestão da LBA de Vera Coutinho, modificamos a forma de pagamento que era em dinheiro, correspondendo a X produtos. Assim se ele pegava um emprestimo que correspondia a, por exemplo, 200 bonecas deles, ao preço de venda da data e ele iria pagar em 20 vezes, cada pagamento deveria ser ao preço de 10 bonecas ao preço do dia. No final do mes, perguntávamos a LBA o que eles estavam precisando e aí compravamos, colchões, fogões, geladeira, enfim, o que fosse demandado e efetuávamos o pagamento.


SAMIR TANUS (1988)

19 de maio de 2009
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Samir Tanus era Secretário do Trabalho e foi peça fundamental para a implementação da Mãos de Minas como associação.
Na transição do governo em deixar de ser o gestor do projeto passando para a Associação Mãos de Minas e entrar somente no apoio logistico foi importantíssimo´.
O Secretário Samir abriu as portas da Secretaria de forma que tivéssemos apoio em nosso custeio repassando recursos para aquisição de mobiliário, material de consumo, transporte de produtos e viagens a Brasilia para discutir projetos, dentre muitos outros apoios…
Ele sempre foi uma pessoa muito alegre. As portas de seu gabinete sempre ficavam abertas e lembro uma vez que estava lá e chegou uma pessoa e pediu para ele (não lembro qual era a moeda da época), tipo R$ 100,00 emprestado…Ele abriu a carteira e deu R$ 50,00. quando a pessoa saiu ele disse “acabei de ganhar R$ 50,00”. Então falei, mas como Secretário? Vi o senhor emprestando R$ 50,00. Ele então retrucou…olha, ele não vai me pagar…então como pediu R$ 100,00 e eu so dei R$ 50,00, ganhei agora R$ 50,00…
As vezes a gente saia para almoçar e eram momentos muito alegres, pois seu astral sempre foi ótimo.
Se ele não tivesse apoiado incondicionalmente a transição da Mãos de Minas de governo para associação, talvez não tivéssemos conseguido chegar onde chegamos.


HILTON SECUNDINO – 1987

18 de maio de 2009
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No final de 1987, após ter conseguido incrementar bem o Projeto Mãos de Minas dentro do governo, achei que os artesãos beneficiados na época deviam contribuir para a sua sustentação. O Conselho Estadual da Mulher que era lotado na Secretaria de Governo havia sido transferido para a Setascad e então fui conversar com o Hilton Secundino de como fazer para os artesãos pagarem uma mensalidade de forma que o projeto buscasse sua auto sustentabilidade, pudesse pagar participação em feiras, emprestar dinheiro para os artesãos, adquirir equipamentos que precisava, vender, etc etc etc.
O Hilton era Superintendente Financeiro da Setascad e imediatamente me falou que isto seria totalmente impossível: primeiro porque o governo não poderia cobrar mensalidade por um projeto, segundo que, mesmo que houvesse uma forma legal, este dinheiro iria cair no caixa único do governo e nunca mais o artesão viria a “cara” dele, pois estávamos numa época de inflação de mais de dois dígitos mensais.
Perguntei a ele qual seria a solução e ele me falou que deveríamos criar uma associação que pudesse cobrar mensalidade, vender produtos com acréscimos e o governo deixaria de ser o “empresário” do projeto, passando a ser SOLIDÁRIO ao projeto.
Começamos a estudar como criar esta instituição, reunimos com os artesãos beneficiados na época e assim, em fevereiro de 1988 foi criada a ASSOCIAÇÃO DOS ARTESÃOS E PRODUTORES CASEIROS DO PROJETO MÃOS DE MINAS.


Sandra Lima e Rachael Scarlateli – 1987

18 de maio de 2009
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Sandra Lima era Presidente do Conselho Estadual da Mulher e Rachel Scarlatelli era Secretaria Adjunta da Setascad. Elas eram do MR8 – Movimento Revolucionário 8 de Outubro e faziam parte dos movimentos feministas. Por causa da Junia Marise e Fernando Diniz eu consegui ser nomeada Diretora do Conselho Estadual da Mulher em 1987, apesar de não ter quase nenhuma ligação com os movimentos feministas (sempre achei e acho que o preconceito esta em chamar atenção para o tratamento diferenciado…sei que em parte elas podem ter razão, mas a discriminação às vezes atrapalha).
Mesmos que não fóssemos da mesma linha, as duas foram muito importantes para a Mãos de Minas, pois ocupavam cargos chave e dentro de suas possibilidades deram toda a força para que a Mãos de Minas continuasse e foi na gestão das duas que foi criada a Associação dos Artesãos e Produtores Caseiros do Projeto Mãos de Minas.
Tem um tempão que não tenho noticias delas…Se alguém tiver um contato, por favor me passe…


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