Arquivo mensal: setembro 2009

ANNA MARINA

Hoje, mais uma vez a Anna Marina deu uma força para os nosso projetos.
Pelo menos umas quatro ou cinco vezes por ano, sua coluna esta na íntegra, divulgando e valorizando o que a gente faz em prol do artesanato.
Leio sua coluna todos os dias. Os assuntos são sempre de interesse comum onde quase que na maioria das vezes a gente se identifica com eles.
Mais de uma vez escrevi algum desabafo e mandava pra ela (até assuntos pessoais, mas comum e possivel de acontecer a todos – qdo por exemplo minha filha sofreu um sequestro relampago, quando a Prefeitura bloqueou os recursos da Mãos de Minas) e não é o meu espanto que ela apoiava integralmente e publicava em sua coluna.
Nem sei como agradecer a Anna Marina todo o apoio recebido nestes anos todos…é impagável!
Se voces não tem o costume de ler sua coluna no Estado de Minas, passem a fazê-lo: de segunda a sábado é no caderno Cultura, na pagina 2 e aos domingos tem um caderno quase que só dela, falando sobre moda, decoração, entrevistas com pessoas especiais, etc.
Já faz parte da minha rotina…acordo, pego um café e vou ler o que a Anna Marina esta mandando de recado…So depois disto é que vou ver o que tem a mais no jornal.
Vale a pena ver!

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SINDICATO DAS DOMESTICAS

Em 1987 fui nomeada Diretora do Conselho Estadual da Mulher, onde o projeto de governo Mãos de Minas estava lotado.
Para não ficar somente mexendo com os assuntos da Mãos de Minas, eu tinha outras tarefas na defesa dos direitos da mulher.
Era uma época que começava a se discutir os direitos das dométicas e a presidente do sindicato das domésticas chamava-se Maria Ilma e era uma pessoa maravilhosa. Resolvi então ajudá-la a fazer o I Encontro Estadual da Empregada Doméstica. Foi muito dificil pelas questões financeiras, mas foi muito gratificante quanto aos resultados. Os debates e as discussões eram super profundos e ninguém estava lá se lamuriando ou então reclamando das patroas ou do serviço. Elas somente queriam regularizar uma situação de direitos, mas também de deveres e responsabilidades.
O encontro foi tão bom, que resolvi nos meses seguintes organizar o encontro das patroas, pois elas como empregadoras, deviam também ser ouvidas e participar dos debates.
Foi um caos…so apareceu patroa histérica falando “daquela desgraça que tenho lá em casa”…”daquela preguiçosa que so sabe comer”, “daquela incompetente que quer ganhar altos salários”…e daí pra frente.
O encontro era para ser de tres dias e encerrou no primeiro dia…Pedi desculpas para a Maria Ilma e suas acompanhantes e seguidoras e vi o quanto elas estavam mais conscientes de buscar seus caminhos do que as patroas (pelo menos as que foram no encontro). Teve momentos que fui falar dos direitos das empregadas enquanto ser humano e quase fui trucidada em praça publica!
Nunca mais voltei ao assunto patroas, continuei, dentro do que me era possivel, a ajudar a Maria Ilma.

MARIA DE LOURDES VIANA MACHADO – 1916 – 2008

Hoje faz um ano que minha mãe faleceu…
Os seus ultimos 3 anos e meio de vida ela morou lá em casa.
Apesar de estar numa cadeira de rodas, com enfermeira 24 horas, usando fraldas, elas nunca esmoreceu!
Tava sempre rindo, com uma carinha melhor do mundo, sempre arrumadinha, perfumada e maquiada. Sair de casa sem um baton…nem pensar…
So teve uma época que ela adorava um tenis…Indiferente da roupa que estava, chic, social, passeio, de casamento…ela botava o tenis…Ficava meio ridículo, mas se era assim que ela gostava, era assim que ia ser feito!
Assim que a gente lá em casa fazia…O que ela queria era feito…
Teve um lance, quando ela tinha acabado de sair de 30 dias de CTI tres anos e meio antes, que quase fiz um desastre…
Ela estava no quarto, com enfermagem 24 horas, ligada ainda a alguns aparelhos, quando ela me demonstrou que estava com vontade de comer chocolate! Não podia, pois a diabetes estava sendo medida a cada quatro horas…Mas pensei: o que vai fazer mal um pouco de mousse de chocolate…comprei, coloquei escondido da enfermeira e quando esta saiu do quarto, lambuzei a boca dela de mousse e disse: come rápido! Ela se deliciou…Meia hora depois eles vem medir a diabetes e estava nas alturas…Queriam levá-la de volta ao CTI e eu tive que confessar que tinha dado mousse de chocolate para ela…
Depois que ela saiu do hospital, teve que fazer umas duas vezes um exame, onde o preparatório ela tinha que tomar 3 litros de uma água com uma mistura que dava um gosto horrível…Assim, eu e o Toninho (nosso motorista no Centro Cape), ajudávamos ela a tomar o liquido…e quando a enfermeira chegava…diziamos na maior cara de pau: ela já tomou tudo…Ela de divertia até com estas estripulias…
Teve um sonho que ela não realizou…Ela queria andar de Halley Davson com o meu filho…tirou foto de capacete, camiseta da Halley, morria de rir das fotos, mas andar de moto realmente era muito pra ela.
Antes de passar mal em 2005, ela morava sozinha e batia perna pelo bairro Sion o tempo todo. conhecia todo mundo e trabalhava na oficina dos Meninos e Meninas do Morro do Papagaio como voluntária…ensinou as meninas a fazer um monte de coisas antigas que não se sabia mais…
Tenho muita saudade dela…Mas lamento sua perda, não a sua morte, pois mesmo com a carinha feliz que ela sempre estava me angustiava muito ver que ela agora era dependente, não conseguia mais fazer seus trabalhos manuais, pois o derrame impossibilitou a sua mão…
Mas sei que ela deve estar feliz também onde esta agora, com meu pai, meus dois irmãos, um monte de amigos que ela fez nos seus 92 anos de vida e com certeza absoluta, esta olhando por mim como sempre fez.
Mãe, um grande beijo!

ZIZA VALADARES

Este histórico que estou escrevendo da Mãos de Minas, tem me trazido algumas lembranças e uma delas foi o Ziza.
Cometi uma injustiça quando escrevi sobre os amigos do artesanato e simplesmente me esqueci dele. Deve ser por causa de como crescemos praticamente juntos. Ele foi meu técnico de volei no Clube Recreativo Mineiro(Ziza morava na Grão Mogol logo do inicio e namorava ( e casou) com a Vaninha que morava na minha rua (Rua Caldas), jogava futebol de salão do Recreativo desde a época que o clube chamava Clube dos Revendedores Comerciais…
O Ziza foi de suma importância, pois na epoca (lá vem eu com naquele tempo…) ele era Secretario de Administração de Tancredo Neves e foi ele que conseguiu para mim, junto ao Governo de São Paulo os informes sobre o programa Feito em Casa que São Paulo tinha lançado e serviu de base para que eu pudesse montar o Projeto Mãos de Minas…
Acho que posso afirmar que ele foi o primeiro AMIGO DO ARTESANATO…
Ziza, desculpe…amigos são assim mesmo…como estão sempre tão perto, viram rotina e acabam sendo esquecidos!

QUERO VENDER PIPOCA!

Desde que um amigo me contou este caso, isto não sai da minha cabeça.
Ele disse conhecer uma pessoa que um dia comprou um carrinho de pipoca, e colocou alguém para trabalhar pra ele.
Hoje ele tem 20 carrinhos…
Todo final de dia, ele passa recolhendo de cada carrinho R$ 200,00…
Ou seja, todo final de dia ele recolhe R$ 4.000,00…
No final do mês são R$ 120.000,00…
Considerando – bem inflacionado, que 50% é custo (pagamento do funcionário + pipoca + manteiga + sal + saquinho + depreciação e manutenção dos carrinhos) ele tem um receita livre de R$ 60.000,00 ao mês!
Quero largar tudo e vender pipoca!

TELEFONE DO PALACIO

Estou escrevendo um histórico do projeto Mãos de Minas para um financiador e me lembrei de um caso quando começamos.
Naquela epoca (poxa…to ficando velha mesmo…meus casos já tem “naquela época”, rsrsrs), telefone custava muito caro, lembro que meu primeiro celular paguei R$ 1.000 a linha, fora o aparelho. Uma linha telefonica fixa, custava mais de R$ 2.000 (na moeda correspondente da época).
Então, alugamos uma linha e o Palacio cedeu outra.
Aí, dependendo do interesse, informávamos ou um ou outro.
Se o interlocutor fosse pessoa ligada ao Palácio, ou se esta proximidade com o Palacio favorecesse o que estávamos discutindo, informávamos o telefone do Palácio. Se era um inimigo do governo, ou mesmo pessoas que não queriam proximidade com o governo, informávamos o número próprio nosso.
Mas era interessante…se as pessoas ligavam e demorávamos a atender, caia na telefonista do Palacio que dizia: Palacio da Liberdade, bom dia! então a pessoa dizia…quero falar na Mãos de Minas e ela transferia…
Muita gente ficava sem entender, como uma associação de artesãos tinha uma linha do Palácio da Liberdade!
Naquela época ser anarquista era mais fácil!

PA

Estou desenterrando meu partido…
Ele foi idealizado por mim e um amigo (José Henrique Portugal). Ele se chamava PAN…Mas depois que foi criado o Partido dos Aposentados Nacionais – PAN, resolvemos renomear o nosso para PA
É o melhor partido do mundo…não temos estatuto, ou melhor, temos sim…é uma folha em branco, nela voce escreve aquilo que tem condições e acredita que pode fazer. Como é voce com voce mesmo…não dá pra mentir ou escrever inverdades, pois elas logo serão descobertas por voce…
Antes a gente falava que não tinha comicio, mas depois descobrimos que temos sim…no banheiro, na frente do espelho…quantas vezes já não fizemos discursos no espelho enquanto escovamos os dentes, penteamos os cabelos ou mesmo nos maquiando (no caso do meu partido, maquiage é so eu…que eu saiba o Portugal não se maqueia…).
E é otimo! voce fala, ri, canta, poe dedo no nariz do outro. Até chora se precisar, mas tudo o que acontece é verdade, pois mesmo que seja mentira ou sonho, naquele momento, voce e seu público, que na realidade é voce mesmo, quer que assim seja…
Acho que se todos aderissem ao meu partido o mundo estaria melhor…Não precisa se preocupar e se desfiliar de onde voce esta e nem buscar uma ficha de inscrição para assinar! Não temos. Nossa inscrição é a sua consciencia…seu credo…sua verdade…
Meu partido chama-se PARTIDO ANARQUISTA!