EU JURO, by Tânia Machado

ALERTA AO ARTESÃO BRASILEIRO | 12 de maio de 2014


Nestes últimos 20 anos, o artesão brasileiro ganhou uma valorização que nunca teve.

Antes tratado como projeto social, junto com idosos, crianças e minorias, viu a sua figura entrar para a economia brasileira, participar de eventos nacionais e internacionais, fazendo com que decoradores, arquitetos e formadores de opinião vissem seus produtos com outros olhos, utilizando-os nos mais nobres dos espaços.

Viram revistas de decoração e cadernos de economia dos maiores jornais do país publicarem reportagens sobre a grandeza do artesão e sua participação na geração de emprego e renda e no PIB brasileiro.

Viram feiras de artesanato, que antigamente eram meros bazares se transformarem em eventos grandiosos, gerando receita para o artesão e para as cidades onde estes eventos se realizavam, com mão de obra, ocupação de hotéis, visita a shoppings e restaurantes.

Viram os produtos brasileiros serem embarcados para os cinco continentes e participarem dos mais importantes eventos internacionais em Paris, New York, Frankfurt.

Viram os produtos brasileiros ocupando as vitrines de lojas tipo Macys – EUA, El Corte Inglês – Espanha, Mujji – Japão, Galerie Lafayte – Paris.

Viram o artesão criando empresas (MEI e Simples), tendo conta bancária, emitindo notas fiscais, rodando nas redes sociais via Face Book, Sites, Twiter…

Viram o artesão ou seus filhos entrando para a faculdade, comprando carro, tirando férias pelo menos uma vez por ano.

Mas tudo isto está por acabar…

O Governo Federal, via MDIC e Apex, decidiram por acabar com o convenio que propiciava a participação do produto brasileiro em feiras do exterior, usando como desculpa o problema que a Abexa teve de um bloqueio, que no fundo foi causado pela própria Apex, quando obrigou a recém criada Abexa a aceitar um participante que a Apex sabia que tinha problemas legais, omitindo esta informação. E agora se recusa a dar continuidade ao projeto mesmo através de outras instituições.

A Secretaria de Micro e Pequena Empresa – Programa de Artesanato Brasileiro, ao invés de apoiar os eventos do artesanato já existentes (leia-se Curitiba, Brasília, Belo Horizonte e Recife), decide por fazer na mesma data da Feira Nacional de Belo Horizonte um evento em São Paulo, numa concorrência totalmente desleal, já que este evento poderia ser feito numa outra data ou mesmo no norte do país onde não existe ainda um evento de grande porte para o artesão nortista.

A Secretaria de Micro e Pequena Empresa, desconhecendo a realidade hoje do artesão, decide por defender de que “artesão não precisa mais emitir nota fiscal e que o imposto deve ser diferido quando da venda a contribuinte, ou seja, quem paga é o lojista”, com a alegação de que o lojista não tem tanta importância assim no escoamento da produção artesanal, fazendo assim com que o produto artesanal tenha uma perda de 18% de competitividade. Isto fará com que os produtos importados da China e África, cheguem cada dia mais em nossas prateleiras (você se lembram da Tok Stock de 10 anos atrás? Voltem lá e veja que hoje mais de 50% dos produtos são Made in China e isto está se repetindo em muitas lojas tradicionais de venda de artesanato)

O Ministério da Cultura, abre um concurso para a venda de produtos na Copa, incentivando o artesão a produzir e depois deixando grandes nomes fora da venda dos espaços. Como se não bastasse, o artesão deverá enviar seus produtos por conta própria, consignados, para serem pagos depois da Copa, com todo o risco por conta dele.

Querem fazer com que o artesão volte a ser um projeto social. Querem determinar o que é artesanato ou não, através de pessoas que nunca pegaram num serrote ou uma agulha para fazer qualquer trabalho e acham que artesanato é somente aqueles produtos feitos da mesma forma pelos nossos avós e bisavós, quando não existia a tecnologia de hoje que querem negar ao artesão.

Não querem que o artesão cresça enquanto cidadão, pois imagine o que seriam 8,5 milhões de brasileiros organizados e participando ativamente da economia.

Querem que você volte a ser dependente do estado em tudo e para tudo.

Você quer voltar para 1994?

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3 Comentários »

  1. Ola sou Loli Colpa a 11 anos faço um artesanato de vanguarda , participei de muitos destes grandes eventos,tive um espaço cedido pelo Centro Cape no Meu Primeiro Evento na Feira Nacional um espetáculo de diversidade artistica e humana,no ano seguinte consegui bancar meu espaço ,atuei em vários estados, e o que infelizmente ficou mais nítido é que as oportunidades não são iguais para todos , do mais simples ao mais complexo evento todos tem as panelinhas de beneficiados em detrimento da qualidade ou grau de inovação , se eu for por no papel os sims e os nãos , levei em onze anos muita porta na cara,meu trabalho quase sempre ganhou mundo através de atravessadores ,que exploram esfolam artistas mundo afora . Infelizmente ao que parece agora sofremos um retrocesso! são despreparos ,devios de verbas , desinformações e muito faz de conta!!!! o Artesão viajou sem ter viajado , participou de eventos ministrou oficinas e só descobriram que fizeram isso, anos depois , verbas sairam pelos ralos por todos os poros , como saem de areas mais urgentes como Saúde e Educação , tudo absolutamente tudo é contaminado pela corrupção . Que esta em todos os escalões , até as pequenas organizações que detem o poder de designar o espaço público para exposições , escolhem de acordo com interesses próprios ,beneficiando os chegados repito sem pensar em qualidade ou valores agregados… gostaria imensamente de mudar esta realidade cruel e exclusiva .

    Comentário por Loli Colpa — 12 de maio de 2014 @ 19:16

    • Pois é Loli, por isto precisamos nos unir.
      Veja bem, voce disse que já foi beneficiada com o Meu primeiro Evento, que como o próprio nome diz, é um “primeiro”, não tem um segundo. Mas são 100 stands que doamos todo ano e voce nao imagina a lista de pessoas que pedem, mas não podemos fazer mais. Somos uma ONG que tentamos sobreviver e depois vem o Governo Federal concorrer com a gente, como se fôssemos capaz disto. Eles tem o poder, eles tem a chave do cofre para fazer o que bem entenderem e não temos poder para nada. Na Feira Nacional temos que pagar o pavilhao mais de R$ 700 mil, a mídia, mais de R$ 800 mil, as montagens, cenografias – mais de R$ 2,5 milhões, segurança, limpeza, carregadores, recepcionistas, etc etc etc que eleva o custo da feira para mais de R$ 6 milhões de reais. Ninguém paga nossas contas, nos que temos que correr atras para cumprir os compromissos e ficamos como agora, já em 2014 pagando dividas da feira do ano anterior…
      Hoje tivemos aqui uma visita do BID-Fomin que ficou impressionado como vivemos e o que fazemos. Ficaram mais impressionados ainda quando viram nosso relatório sobre as anti-politicas do governo federal.
      Mas, quer saber, os culpados somos nos mesmos. Meu sogro dizia uma frase que era ENQUANTO TIVER CAVALO, SÃO JORGE NÃO ANDA A PÉ. Pois é…fazem da gente o que querem e deixamos por isto mesmo. Enquanto isto, eles deitam e rolam…
      Agora precisamos de mais pessoas a lutar, pois quem tem coragem de falar publicamente são muito poucas e que acabam por receber retaliações daqui e dali por suas posições. A grande maioria fica esperando que alguns poucos tentem fazer por muitos.
      Temos que lembrar que somos 8,5 milhões de brasileiros. Se quisermos temos a força para mudar, mas para isto tem que ter união.
      Eu podia abandonar tudo e ir curtir a minha vida de aposentada aos 64 anos, mas não, estou aqui lutando dia a dia, para algo que não me beneficia financeiramente em nada, somente pelo prazer de ajudar e lutar por uma causa que já foi o meu ganha pão por décadas.
      Vamos juntar mais pessoas neste coro de revolta que é tratar o artesão como se ele fosse um indigente.

      Comentário por taniamachado — 12 de maio de 2014 @ 19:39

      • Loli,
        A proposito, como ficou a questão da Sutaco aí em São Paulo?

        Tãnia

        Comentário por taniamachado — 12 de maio de 2014 @ 19:41


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