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PATROCINIOS

Procurar patrocínio, sempre foi uma situação difícil.

Chegar nas pessoas certas e conseguir convence-las que apoiar um segmento de mais de 8,5 milhões de brasileiros, é uma boa coisa e trabalha também a responsabilidade social, além do marketing cultural para a empresa.

So que agora, com este monte de “lava jato” em cima de patrocínio a situação esta ficando cada vez pior. É gente fazendo festa com lei Rouanet, é gente pedindo troco no patrocinio, cada dia leio uma noticia diferente nos jornais.

Aí fico mais preocupada ainda, quando as pessoas nivelam por baixo. Ou seja, se tem um bandido do patrocínio, todos também são bandidos.

Nos aqui, em todos estes anos que recebemos patrocínio, nunca tivemos um centavo desviado para qualquer outro objetivo que não fossem os aprovados na Lei de Incentivo para a Feira Nacional. A maioria dos patrocínios, como sou eu que faço a a captação, nem taxa de intermediação existe.

Mas as empresas tem que começar a separar o joio do trigo. Um patrocínio para a Feira Nacional de Artesanato, beneficia diretamente 7.000 artesãos e indiretamente mais de 20.000 se considerarmos suas famílias e as pessoas que trabalham com eles. Garantem a continuidade de diversos ofícios artesanais, quando estes artesãos tem a oportunidade de mostrar seus trabalhos, fazer vendas e contatos futuros.

Isto sem dizer que o artesanato é a opção imediata de trabalho neste momento de crise e desemprego que se encontra o país. São engenheiros fazendo sandálias, médicos fazendo sanduiche, arquitetos fazendo roupas e por aí vai. E cada um destes acaba levando consigo dois ou três ajudantes, que também passam a ter uma renda.

Se 0,001% do que dizem que já foi encontrado de roubo (R$ 100 bi) fosse aplicado no artesanato, teríamos a geração de 1.000 empregos, garantindo renda de quase R$ 5 milhões a estes artesãos durante um ano.

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O INICIO

Quando a Mãos de Minas começou em 1988, não tinhamos nada. Eram duas mesas e quatro cadeiras. Eramos 4 pessoas e cada uma sentava numa ponta.

Na epoca, fui ao Secretario de Administração para ver se conseguia alguns móveis no Estado, então ele me mandou ao deposito de restos da Secretaria com a ordem que que podia pegar o que quisesse.

Peguei algumas mesas, mas aproveitei a oportunidade e peguei 9 aparelhos de ar condicionado que não funcionavem e 22 máquinas de escrever manuais que também não funcionavam…Ninguém entendeu o motivo deu pegar aquele “ferro velho”…

Chamei então uma empresa que mexia com máquinas e perguntei: se eu te entregar 22 máquinas que não funcionam, quantas funcionando voce me devolve? Ele respondeu: 11 – eu falei: negocio feito. Assim, tinha 11 máquinas manuais que funcionavam…Mas era terríveis, doia os dedos e era um barulho sem fim. chamei de novo o cara e perguntei…Se eu te entregar 11 máquinas manuais que funcionam, quantas máquinas eletricas usadas você me dá? Ele respondeu: 4 – falei – negocio fechado! As máquinas eram melhores, mas o barulho continuava a ser infernal…chamei ele de novo: se te entregar 4 máquinas eletricas usadas, que funcionam, quantas máquinas novas, voce me entrega: ele respondeu: uma – falei – négocio fechado…so precisava de uma mesmo…A máquina existe e funciona até hoje.

Os aparelhos de ar condicionado foram diferente: um dia entrei na sala do Secretario Samir Tanus e ele suava que nem tampa de chaleira…o ar condicionado da sala dele tinha quebrado e não tinha conserto. Conversando com o Superintendente Administrativo ele me falou que a Secretaria não tinha dinheiro para comprar uma aparelho novo – investimento, mas tinha dinheiro para consertar – custeio. Ops! Vamos fazer um negocinho? Resultado, entreguei para ele os 9 aparelhos que não funcionavam e eu e o Secretário ganhamos um aparelho funcionando…Este não existe mais, mas funcionou durante muitos anos…

Oportunidades são coisas que precisamos estar sempre atentos. elas passam de uma forma sutil e precisamos saber interpretá-las.

PAULO BRANT

Era 1988 e a associação Mãos de Minas tinha acabado de ser criada, passando o governo do papel de empresário para solidário ao projeto (depois conto esta história da transição).

Paulo Brant (hoje Secretário de Cultura do Governo Aecio neves) era Secretario Adjunto de Industria e Comércio e é amigo de longa data. Me chamou e disse que deveríamos requerer a doação de um terreno na Raja Gabaglia e montarmos alí um Centro de distribuição de artesanato.

Quando passei por lá, tudo naquela época era uma favela só…de um lado e de outro…Fiquei muito brava com ele pois “so porque era artesão ele queria colocar no meio da favela”…xinguei mesmo!

Hoje, não ha uma vez que passe por lá que não me arrependo amargamente de não ter aceitado a oferta do Paulo. Ele tinha a visão do que ia acontecer na área e eu miope, não vi.

FEIRA NACIONAL DE ARTESANATO (II)

Há muitos anos atrás, quando a Feira Nacional ainda acontecia no Minascentro, precisava de ajuda para pagar o aluguel do espaço.

Fiz então 15 cartas, igualzinhas e fui para a ante sala do Governador na época e começei a pedir a todas as pessoas que estavam com audiência marcada que se fariam a gentileza de entregar minha carta a ele.

Entreguei para 12 (doze) pessoas e fiquei lá de plantão. No final da tarde, o Governador mandou me chamar e quando entrei na sala dele, ví 11 (onze) cartas espalhadas em cima da sua mesa.

Ele então me disse: Tânia, qual que voce quer que eu atenda? Eu disse: escolhe uma Governador e rasgue as outras 10 (dez)…

Até hoje, sou curiosa de saber quem foi a pessoa que entrou no gabinete do Governador e NÃO entregou a minha carta!

BAEPENDI

Lá pelos anos de 1990, estavamos em Baependi trabalhando com os artesãos locais na organização de forma que eles pudessem ter um tratamento digno por parte dos atravessadores, pois a situação era lamentável.

Eram crianças, adolescentes, velhos trabalhando dias a fio, numa situação terrivel, recebendo uma miséria por seus balaios que tinham que ter um tratamento com querozene e o cheiro era insuportável.

Os atravessadores pagavam centavos por um balaio que vendiam por 10, 20 até 30 vezes mais em  São Paulo.

Queríamos que os atravessadores pagassem um preço justo pelos balaios, assim as familias não precisariam incluir as crianças na produção, pois com o ganho maior a situação ficaria bem melhor para todos.

Quando estávamos finalizando a organização da associação, correu um boato na cidade de que se eles se organizássem os atravessadores não iam comprar mais deles.

Resolvemos então blefar…falamos…ta bom…eles não compram, nos iremos entrar comprando…Era um blefe enorme, pois não tínhamos nenhum condição de escoar toda a produção do municipio naquela epoca, pois a Mãos de Minas estava apenas começando, mas chegamos com o caminhão e enchemos até o último centimetro do baú com balaios…

Começamos a rezar então, pois se desse certo conseguiríamos atingir nosso objetivo, mas se desse errado, tínhamos criado uma situação terrível para a comunidade e para nós.

Graças a Deus, os atravessadores acreditaram em nosso blefe e voltaram pagando um preço justo pelos produtos.

VALE DO JEQUITINHONHA

Amadeu e sua mãe, dona Isabel

Amadeu e sua mãe, dona Isabel

A simplicidade do Vale do Jequitinhonha me encanta…

Uma vez, numa Feira Nacional de Artesanato, tinha uma oficina de ceramica, onde as artesãs faziam do barro, peças muito lindas.

Um visitante chegou perto de uma delas e pediu que fizesse um barco. Barco? Ela perguntou…Sei que é isso não? Ele disse…sim barco. De onde voce é, perguntou ele. Ela respondeu: Vale do Jequitinhonha. Ele questionou: pois é, lá tem rio? Ela respondeu: tem sim sinhô…O que voce usa para atravessar o rio? Disse o visitante.  Ela retrucou…moço, não sei de onde o sinhô é, mais lá no Vale do Jequitinhonha pra atravessar o rio a gente usa é a ponte…