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INVEJA

To boba com o que estão falando do Eike Batista!
No Brasil o pessoal tem a mania de dizer que todo mundo que tem sucesso, ou é traficante (tem sempre alguém que já viu…), ou é ladrão (tem sempre alguém que vivenciou uma história), ou é veado (tem gente que jura que já comeu…).
Como ninguém viu, vivenciou ou comeu o Eike, agora estão desmerecendo a fortuna dele…
Dizem que ele ganhou sua fortuna “vendendo sonhos”…
E se foi? Ele teve a brilhante ideia e ganhou dinheiro com isto…
Por que quem ta falando não teve esta ideia?
Dizem que ele não gera emprego…so possibilidades de….
E as milhares que pessoas que não geram nem emprego e nem possibilidades?
É assim mesmo…ninguém pode ter sucesso que lá vem o pessoal lascando o pau!
Guardadas as devidas proporções, veja a questão da Mãos de Minas…Lembro que no principio o pessoal falava que eu “metia a mão”…O tempo provou que não…Ai o pessoal começou a me chamar de burra de porque eu não “metia a mão”.
Hoje tem muita gente que fala que eu morro de ganhar dinheiro com o artesanato…Tenho o orgulho (ou vergonha????) de dizer que a Mãos de Minas nunca me pagou um copo dágua!
Agora que eu queria que o Eike doasse para o Grupo de Desenvolvimento, não 7 U$ milhões de dólares, tal qual fez com a Madona, mas uns R$ 7 milhões de reais, geraria milhares de empregos e garantiria a sobrevivência de outros milhares que já foram gerados…
eu nunca consegui falar com o pessoal da RSE do Grupo X, mas nem por isto vou sair falando mal…torço para que ele fique cada dia mais rico e se um dia ele puder ver as questões da Responsabiidade Social Empreendedora em Minas Gerais, ótimo…se não…ótimo também…

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Matando um leão por dia…

Às vezes, as pessoas perguntam quem é que nos ajuda a manter todas estas instituições funcionando…
Eu respondo: Deus, Buda, Oxossi, Jesus, meus parentes e amigos que já se foram…so sei que, não sei como, todo o final de mes a gente consegue pagar as contas.
São mais de R$ 82 mil do Centro Cape, R$ 87 mil da Mãos de Minas, R$ 77 mil do Banco do Povo – isto so de custeio, sem considerar investimentos e projetos especiais.
O Banco do Brasil tem sido um grande parceiro nos abrindo linhas de créditos para girarmos os momentos de crise, além da Vale e Codemig que nos ajudam nos projetos de exportação para os EEUU. Isto sem contar com os nossos sempre parceiros na Feira Nacional: Petrobras, Cemig, Fiemg, que estão conosco há mais de 6 anos. Fora isto, é o que se diz, fazer hoje, para comer amanhã…
As pessoas as vezes veem nossa estrutura, com computadores, rede wireless, mobiliário condizente, dois caminhões, dois automóveis, show room em NY e Sintra, pelo menos mes sim e mes não, alguem do Grupo esta na Europa ou EEUU, acho que ficam pensando…”eles estão nadando no dinheiro”…
Mas o que existe é seriedade, respeito e responsabilidade. Cada projeto tem que buscar sua auto sustentabilidade. O projeto da Apex, por exemplo, é o mais “rico”, mas todos os seus recursos são aplicados no objetivo a que se propoe. Cada centavo é levado a sério e toda economia é comemorada, pois assim é mais dinheiro que podemos aplicar na ponta, no nosso público alvo.
Fico vendo às vezes este monte de escandalo envolvendo Ongs e fico pensando…como é que as pessoas tem coragem de pegar recursos que deveriam ser aplicados no objetivo que o convênio se propoe para se beneficiar?
Prefiro ficar cansada, como às vezes me sinto, mas quando coloco a cabeça no travesseiro, durmo com a tranquilidade de quem esta cumprindo a missão que se propos.

BANCO CENTRAL

img265Era 1990 e havíamos recebido uma doação de 20.000 marcos da GTZ para fazer um teste de microcrédito. A Constituição de 88 havia pouco que tinha sido promulgada e tínhamos o problema de emprestar recursos, numa inflação de quase 50% am tendo que recuperar não so o principal, mas também a inflação e havia o crime de usura. Nem se pensava no marco legal do microcrédito que foi em 1999. O Banco do Povo nem tinha sido criado e quem operava o microcrédito era o Centro Cape.

Fomos então ao Banco Central e perguntamos: recebemos uma doação, mas temos que emprestar a uma taxa maior do que 1% am. Existe algum problema? A resposta foi que não nos preocupássemos, pois não haveria problema algum…Dissemos então: por favor, gostaríamos que nos dessem esta informação por escrito!. Aí tudo mudou de figura: pediram então que formalizássemos nossa consulta e protocolássemos para que assim obtivéssemos uma resposta. toda semana ia lá e cada dia me informavam que o papel tinha ido para um andar do Banco Central em Belo Horizonte. E eu correndo atrás.

Até que alguns meses depois, chegando lá, me informaram na maior alegria: seu documento foi para Brasilia. Eles que vão te responder…

Passei a frequentar o Banco Central de Brasilia e a mesma coisa. O documento subia e descia escada todo o tempo e eu correndo atrás dele. Até que um dia, acredito que cansados da minha insistência, dia 25 de maio de 1992 me deram uma carta, não autorizando, mas não impedindo que o fizéssemos…lavando suas mãos e dizendo que eles não tinham o que opor, já que não estava na instância de fiscalização deles.

Até que fosse promulgado o marco legal em 1999, este foi o documento usado por dezenas de pequenas instituições de microcrédito no Brasil.

QUANDO TUDO COMEÇOU…

Esta semana, depois de longo tempo  sem viajar para o interior (anos mesmo…o trabalho de escritorio do Centro Cape, Banco do Povo e Mãos de Minas não me permitem mais fazer isto que gosto tanto), fui ao Campo das Vertentes. Quando cheguei a São João Del Rei, tive a chance de visitar o Solar dos Neves. Quando vi os retratos de Dona Risoleta e Tancredo Neves, foram 27 anos de historia que passaram pela minha mente…

Me lembrei quando, em 19 de março de 1983 – dia mundial do artesão, Junia Marise que era Presidente do Conselho Estadual da Mulher, lançou com Tancredo Neves – nosso governador,  o projeto Mãos de Minas. Dona Risoleta não pode ir, pois ela tinha luxado ou quebrado o braço (não me lembro bem…) ao escorregar no Palacio das Mangabeiras.

Começava ai a história do maior projeto de artesanato que este país já viu.

O projeto dava ao artesão dignidade, pois a partir de sua criação o artesão tinha uma carteira que lhe dava uma identidade, tinha uma nota fiscal – cedida pela Divisão de Tributação da SEF que lhe dava cidadania e participação na economia, tinha a oportunidade de participar de feiras e bazares que lhe dava a chance de vender seus produtos e gerar sua renda sem que fosse tratado como um projeto social.

Naquela época, eu era uma das beneficiárias do projeto.

Tudo começou, quando eu que fazia artesanato de brincadeira, tive que ganhar dinheiro com isto!

Quando conseguia que algum lojista me atendesse, ele me perguntava: voce tem Nota Fiscal: lógico que não tinha…

Quando o lojista tinha a Nota Fiscal de entrada e me fazia um pedido, eu não tinha dinheiro para comprar a matéria prima…aos bancos não tinha acesso, pois como informal não tinha como comprovar renda…

Quando o lojista, que tinha Nota Fiscal, me fazia um pedido e me adiantava o dinheiro para a matéria prima, eu não conseguia comprá-la no atacado, pois não havia nada que me identificasse como artesã…

Quando tinha um lojista, que tinha Nota Fiscal, me fazia um pedido, me adiantava o recurso e eu conseguia que um amigo comprasse pra mim a matéria prima no atacado, eu via no final que não sabia calcular o preço de venda e estava tendo o maior prejuizo…

Era uma roda viva…

Então, um dia eu li na Folha de São Paulo que tinha sido lançado lá, um projeto chamado Feito em Casa…Dava carteirinha, nota fiscal e chance de participar em feiras ao artesão paulista. O Ziza Valadares era Secretario de Administração de Tancredo Neves, então pedi a ele que buscasse informações sobre o projeto.

Com as informações na mão, escrevi o projeto nos mesmos moldes e precisava de um nome para ele. Tenho um amigo – Helinho, Professor de Portugues que vivia fazendo uns bazares e falava que um dia ia criar uma loja que se chamaria MÃOS DE MINAS. Liguei para ele e perguntei se não podia “roubar” o seu nome. Expliquei o que queria e ele imediatamente permitiu o meu “roubo”.

Com o projeto na mão, fui atras de deputados, vereadores e todos achavam lindo, mas parava por aí.

Então, o Governador Tancredo Neves havia acabado de lançar o Conselho Estadual da Mulher, cuja primeira presidente foi Junia Marise. Ela pegou o projeto em mãos e o levou para Tancredo e Dona Risoleta que imediatamente determinou que fosse executado através do Conselho Estadual da Mulher já que, desde aquela epoca já se sabia que 87% da produção artesanal estava nas mãos das mulheres.

Assim, termino voltando ao segundo parágrafo deste texto quando oficialmente tudo começou…

Cada tempinho que tiver, vou tentar escrever um pouco destes 27 anos de muito trabalho, milhares de alegrias, algumas decepções, mas sempre com a certeza de que valeu e vale a pena…

Tânia Machado