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PATROCINIOS

Procurar patrocínio, sempre foi uma situação difícil.

Chegar nas pessoas certas e conseguir convence-las que apoiar um segmento de mais de 8,5 milhões de brasileiros, é uma boa coisa e trabalha também a responsabilidade social, além do marketing cultural para a empresa.

So que agora, com este monte de “lava jato” em cima de patrocínio a situação esta ficando cada vez pior. É gente fazendo festa com lei Rouanet, é gente pedindo troco no patrocinio, cada dia leio uma noticia diferente nos jornais.

Aí fico mais preocupada ainda, quando as pessoas nivelam por baixo. Ou seja, se tem um bandido do patrocínio, todos também são bandidos.

Nos aqui, em todos estes anos que recebemos patrocínio, nunca tivemos um centavo desviado para qualquer outro objetivo que não fossem os aprovados na Lei de Incentivo para a Feira Nacional. A maioria dos patrocínios, como sou eu que faço a a captação, nem taxa de intermediação existe.

Mas as empresas tem que começar a separar o joio do trigo. Um patrocínio para a Feira Nacional de Artesanato, beneficia diretamente 7.000 artesãos e indiretamente mais de 20.000 se considerarmos suas famílias e as pessoas que trabalham com eles. Garantem a continuidade de diversos ofícios artesanais, quando estes artesãos tem a oportunidade de mostrar seus trabalhos, fazer vendas e contatos futuros.

Isto sem dizer que o artesanato é a opção imediata de trabalho neste momento de crise e desemprego que se encontra o país. São engenheiros fazendo sandálias, médicos fazendo sanduiche, arquitetos fazendo roupas e por aí vai. E cada um destes acaba levando consigo dois ou três ajudantes, que também passam a ter uma renda.

Se 0,001% do que dizem que já foi encontrado de roubo (R$ 100 bi) fosse aplicado no artesanato, teríamos a geração de 1.000 empregos, garantindo renda de quase R$ 5 milhões a estes artesãos durante um ano.

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YVES ALVES – 1989

Yves era Diretor da Rede Globo Minas e era um apaixonado por artesanato (ele faleceu há alguns anos atras em Tiradentes, onde estava residindo) e em 1989 resolvemos fazer a I Feira Nacional de Artesanato. Não tinhamos nenhuma noção de como fazer uma feira e nem dinheiro para pagar midia.
O máximo que conseguimos com recursos próprios foi colocar umas faixas de pano nas ruas.
Procuramos o Yves e ele imediatamente mandou fazer um VT (por conta da Globo) e fez para nós diversas inserções gratuitamente na Rede Globo. Foi a única midia descente que tivemos…
Se não tivessemos tido a ajuda dele, possivelmente a feira teria sido um fracasso e hoje não estaríamos realizando a XX Feira Nacional de Artesanato (era para ser a XXI, mas em 1990 não realizamos por causa do Plano Collor, outro dia conto sobre isto).

GPS

Na proxima Feira Nacional de Artesanato vamos contratar empresas que aluguem chips para localização das pessoas pelo GPS.
O número de idosos que vão na feira é cada vez é maior…A gente gosta muito disto, até porque minha mãe quando era viva (ela faleceu no ano passado com 92 anos) adoraaaavvvaaaa a feira.
Ela ia pelo menos umas três vezes.
Assim a feira é visitada por idosos com 90/95 anos, acompanhadas de suas filhas que tem 70/75 anos e pelas netas com 50/55 anos e bisnetos com 20/35 anos e as vezes até tataranetos com 0 a 5 anos.
Assim, de repente chega na Secretaria uma senhora de 75 anos pedindo para anunciar que perdeu sua mãe de 95 anos. Anunciamos, achamos a mãe e fica tudo feliz.
Passa uma hora, chega a mãe, com 95 anos pedindo para anunciar que perdeu a filha que tem Alzheimer e tem 75 anos. Como avisar para uma pessoa que tem Alzheimer que tem alguém procurando por ela??? Alguém me diz?
Tudo bem…depois de muita procura, achamos a filha…passa um tempo, vem a neta com a bisneta e a tataraneta falando que perdeu a avo e a bisavo e que a bisavo tem falhas na memoria…
É uma verdadeira loucura ficar achando naqueles 47.000 m2, às vezes com 25.000 pessoas uma bisavo, uma avo, uma mãe, enfim a familia toda.
Pensamos então em criar um novo serviço…todo mundo acima de 70 anos receberá um chip…assim vai ficar muito mais fácil achar as pessoas.

XINGU

Em 1991 fomos convidados a visitar os tixicão no Xingu, como agradecimento deles terem estado na Feira Nacional,quando montaram uma oca, uma casa de guerra, enfim uma aldeia indigena.
Para a visita tivemos que pedir autorização ao Cacique (que não me lembro o nome) que ficava na Funai em Brasilia.
O Cacique autorizou e pediu que levássemos presentes. Perguntamos o que queriam e a resposta foi: pólvora, anzol, tecidos, linha e agulha.
Eu mais do que depressa perguntei: e pras crianças? Não vamos levar nada? Queria mandar chocolates, chicletes, balas…
Ele respondeu: a senhora já esta mandando…E eu: como? E ele: o anzol e a pólvora é que vão permitir que seus pais busquem os alimentos e os tecidos que vão fazer suas roupas…
Haja aprendizado!

FEIRA NACIONAL DE ARTESANATO (II)

Há muitos anos atrás, quando a Feira Nacional ainda acontecia no Minascentro, precisava de ajuda para pagar o aluguel do espaço.

Fiz então 15 cartas, igualzinhas e fui para a ante sala do Governador na época e começei a pedir a todas as pessoas que estavam com audiência marcada que se fariam a gentileza de entregar minha carta a ele.

Entreguei para 12 (doze) pessoas e fiquei lá de plantão. No final da tarde, o Governador mandou me chamar e quando entrei na sala dele, ví 11 (onze) cartas espalhadas em cima da sua mesa.

Ele então me disse: Tânia, qual que voce quer que eu atenda? Eu disse: escolhe uma Governador e rasgue as outras 10 (dez)…

Até hoje, sou curiosa de saber quem foi a pessoa que entrou no gabinete do Governador e NÃO entregou a minha carta!

VALE DO JEQUITINHONHA

Amadeu e sua mãe, dona Isabel

Amadeu e sua mãe, dona Isabel

A simplicidade do Vale do Jequitinhonha me encanta…

Uma vez, numa Feira Nacional de Artesanato, tinha uma oficina de ceramica, onde as artesãs faziam do barro, peças muito lindas.

Um visitante chegou perto de uma delas e pediu que fizesse um barco. Barco? Ela perguntou…Sei que é isso não? Ele disse…sim barco. De onde voce é, perguntou ele. Ela respondeu: Vale do Jequitinhonha. Ele questionou: pois é, lá tem rio? Ela respondeu: tem sim sinhô…O que voce usa para atravessar o rio? Disse o visitante.  Ela retrucou…moço, não sei de onde o sinhô é, mais lá no Vale do Jequitinhonha pra atravessar o rio a gente usa é a ponte…