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VALDIR OLIVEIRA

Valdir era responsável pelos projetos da Fundação Banco do Brasil com recursos do Ministério do Trabalho, oriundos do FAT.
Tínhamos um relacionamento com o Banco do Brasil – Agência Carijós, com um gerente geral (que esqueci o nome, quando lembrar volto e publico, ok?) no financiamento a artesãos.
Ele então nos chamou para discutir um projeto de levar o financiamento para os clientes do Proger, através das agências do Banco do Brasil, via Fundação Banco do Brasil.
Fomos então a uma reunião na Superintendencia do Banco na Rua Rio de Janeiro, onde lá estavam, se não me engano, o Valdir, o Rabelinho e o Romano. Quando foram explicando o que queriam, eu fui desenhando o projeto na minha cabeça e passando pra eles…Mas aquilo era muito maior do que já tínhamos executado. Tínhamos a competência, mas não tínhamos a experiencia de aplicação em larga escala.
Da cintura pra cima, eu estava perfeita…firme e decidida, mas da cintura pra baixo, debaixo da mesa, minhas pernas tremiam que nem vara verde…
Começamos então o projeto. Nós ficamos responsáveis por Minas Gerais e Brasilia e a Universidade pelo Paraná e uma cooperativa, que não me lembro o nome pelo Rio de Janeiro.
Quando chegou janeiro, tinha que haver um tempo para que a Fundação Banco do Brasil renegociasse o projeto com o MTE e aí informaram que iam suspender. Me recusei a faze-lo e disse que iria bancar o projeto até que eles retomassem. Brincava na epoca com o Romano de como uma Ong estava financiando o Ministério e o Banco do Brasil. Os outros parceiros do Paraná e Rio abandonaram o projeto…
Depois que eles retomaram me recompensaram pelas minhas perdas, mas o importante não era tão somente o dinheiro, mas o projeto em si que era e foi fantástico: foram mais de R$ 1 bilhão, isto mesmo UM BILHÃO, que emprestamos para mais de 100.000 pessoas neste Brasil.
Mas voltando ao Valdir, ele foi e é um amigo especial. Vivemos muitas coisas juntos…E foi amigo de verdade, daqueles que quando tem que “quebrar o pau”, quebrava…Quando tinha que elogiar…elogiava…nunca me deu moleza (e eu também nunca dei…rsrsrsrs). Amigo pra mim é assim mesmo…Aqueles que ficam o tempo todo elogiando e falando um monte de baboseira pra mim não é amigo. Não sou perfeita! Tenho falhas e muitos erros (graças a Deus…acho que perfeição deve ser um saco!…) e ele quebrava o pau…como ele também não é perfeito eram brigas homéricas, mas que cada dia mais fortaleciam o nosso relacionamento.
Agora, por causa das boas coisas que fez junto a Fundação, quando da nova gestão ele foi quase que perseguido e quando vemos que no projeto da Fundação Banco do Brasil – Sala do Empreendedor, operamos mais de R$ 20 milhões de reais e nunca nos beneficiamos nem com um chopp numa conta de restaurante, às vezes chego a questioná-lo: nao devíamos ter sido tão honestos…
Mas o Valdir tem o mesmo problema que eu: SUA MÃE.
A mãe dele igual a minha nos ensinou a ser FIEL, ser HONESTO e ser TRABALHADOR.
Valdir, quem sabe na próxima encarnação…nesta cara, vamos continuar a ser honestos, fieis e trabalhadores, nao conseguiremos ser outra coisa…
Vamos entao continuar com este nosso ideal de tentar fazer deste país um pais melhor de se viver, principalmente para o nosso público alvo…
Obrigada por me manter como sua amiga…

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PRECONCEITO E AUTO ESTIMA

patio-savassiO projeto com os meninos e meninas do Morro do Papagaio, financiado pela Fundação Banco do Brasil com recursos do Senaes e Ministério do Trabalho e Emprego agora deslanchou.
Já estamos com 42 adolescentes em sala de manhã e de tarde.
Amanhã eles vão em excursão no Patio Savassi, onde vamos discutir o preconceito e a auto estima. Este foi um assunto levantado por eles, pois nos primeiros dias, quando chegavam ficavam na porta do Centro Cape indecisos em entrar. Quando indagados o porque não subiam, eles espantados perguntavam: mas podemos ir entrando? O segurança não vai nos barrar? Ninguém vai nos acompanhar até a sala do terceiro andar? Querem revistar a nossa mochila? Quando nossas respostas eram que eles agora faziam parte do Grupo de Desenvolvimento e ninguém ia barra-los ou revistá-los, a principio eles ficaram super desconfiados, pois não estavam acostumados com este tipo de tratamento. Conversamos então sobre isto: até onde não são eles que criam os preconceitos? Por que eles sempre tem que pensar que “o outro” esta desconfiando deles? Que atitude devem tomar para si e frente os outros para neutralizar isto?
Então amanhã vamos ao Pátio Savassi, um dos shoppings mais chiques de BH. Vamos visitar lojas e eles vão lanchar. Nesta primeira semana de atividades, eles já mudaram a sua postura. Antes chegavam de chinelo, com boné virado pra trás, camisetas às vezes sujas…hoje chegam de banho tomado, de tenis ou sapato e cabelinhos penteados…ninguém mandou que ele fizessem isto…é a auto estima levantando…

SURDOS

Uma vez, desenvolvemos a aplicação da Metodologia CEFE para pessoas que tem deficiência auditiva e usam a liguagem de Libras (linguagem de sinais) para se comunicar.
Tínhamos verificado que a maioria dos cursos oferecidos a este segmento eram cursos profissionalizantes nas áreas de informática, gráfica, e outros. Não existiam cursos de empreendedorismo, criação de negócios, gestão, enfim, ser empresário de sucesso.
Foi muito interessante, pois tudo era discutido e “falado” em libras e com isto formamos 15 multiplicadores com deficiência auditiva para poderem atuar no mercado. O projeto foi financiado pela Fundação Banco do Brasil com recursos do Ministério do Trabalho.
No último dia do curso, fomos a um restaurante para comemorar. Avisamos antes ao restaurante que eram pessoas que não escutavam, de forma que os garçons soubessem disto e não houvesse problema no atendimento.
No final, quando apresentaram a conta, colocaram 20 “couvert artistico”, pois segundo o maitre, haviam chamado um conjunto para tocar e animar a festa…
Foi uma briga para tirarem 15 do couvert artistico…Convencer o maitre que as pessoas que estavam lá não escutaram nada da música que foi tocada pelo conjunto que estava se apresentando…

Yunus

Tive a chance, convidada pela Fundação Banco do Brasil e Ministério do Trabalho e Emprego, de passar uns dias em Dhaka com Muhammad Yunus do Grameen Bank de Blangladesh.
Foram dias inesquecíveis e tivemos dois dias de reunião com ele e sua equipe.
Nunca saiu da minha cabeça uma fraze dele: “as pessoas quando nascem, são exatamente iguais, não dá pra diferenciar numa maternidade um filho de pobre e o filho de rico. São as oportunidades da vida que as tornam diferentes”.