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ROBERTO CORREIA LIMA – 1989

Roberto trabalhava no BID, na área de pequenos projetos. Começamos a conversar com ele em 1990 para iniciar um processo de financiamento a Mãos de Minas.
Demorou mais tres anos para os recursos saírem, mas neste tempo a convivência com o Roberto foi muito boa já que ele era (faleceu há uns tres anos atrás) uma pessoa que também gostava muito de artesanato e acreditava que era um excelente caminho para a geração de emprego e renda.
Como estávamos começando e não tinhamos nenhuma experiência na formatação de projetos, ele fez quase tudo sozinho e viabilizou que conseguíssemos um empréstimo de U$ 500.000, mais U$ 150.000 de cooperação técnica.
Este recurso fez com que em 1999 criássemos o Banco do Povo, comprássemos o nosso caminhão para transporte de produtos, criássemos o Fundo de Comercialização que existe até hoje e informatizássemos a Mãos de Minas.
O financiamento do BID foi o grande salto para o fortalecimento da Mãos de Minas.
Eu, quando agradecia ao Roberto o apoio, brincava com ele que eu queria escrever não sobre os acertos do projeto com o BID, mas com os erros que cometemos. Como nunca havíamos tido tanto dinheiro em nosso poder e tinhamos a prática da economia, acabávamos fazendo economias que diria “porcas”, pois na parte de consultoria, ao invés de contratarmos o melhor do mercado, substituiamos por estagiários para ter mais gente. Resultado, gastávamos pouco, mas não conseguíamos os resultados esperados, pois os estagiários não tinham a bagagem de conhecimento que necessitávamos.
Depois que o Roberto saiu do BID, ele passou a dar consultoria ao BNDES no projeto de microcrédito. Também lá tivemos ótimas reuniões quando o BNDES passou a atuar no microcrédito…

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Yunus

Tive a chance, convidada pela Fundação Banco do Brasil e Ministério do Trabalho e Emprego, de passar uns dias em Dhaka com Muhammad Yunus do Grameen Bank de Blangladesh.
Foram dias inesquecíveis e tivemos dois dias de reunião com ele e sua equipe.
Nunca saiu da minha cabeça uma fraze dele: “as pessoas quando nascem, são exatamente iguais, não dá pra diferenciar numa maternidade um filho de pobre e o filho de rico. São as oportunidades da vida que as tornam diferentes”.

BANCO CENTRAL

img265Era 1990 e havíamos recebido uma doação de 20.000 marcos da GTZ para fazer um teste de microcrédito. A Constituição de 88 havia pouco que tinha sido promulgada e tínhamos o problema de emprestar recursos, numa inflação de quase 50% am tendo que recuperar não so o principal, mas também a inflação e havia o crime de usura. Nem se pensava no marco legal do microcrédito que foi em 1999. O Banco do Povo nem tinha sido criado e quem operava o microcrédito era o Centro Cape.

Fomos então ao Banco Central e perguntamos: recebemos uma doação, mas temos que emprestar a uma taxa maior do que 1% am. Existe algum problema? A resposta foi que não nos preocupássemos, pois não haveria problema algum…Dissemos então: por favor, gostaríamos que nos dessem esta informação por escrito!. Aí tudo mudou de figura: pediram então que formalizássemos nossa consulta e protocolássemos para que assim obtivéssemos uma resposta. toda semana ia lá e cada dia me informavam que o papel tinha ido para um andar do Banco Central em Belo Horizonte. E eu correndo atrás.

Até que alguns meses depois, chegando lá, me informaram na maior alegria: seu documento foi para Brasilia. Eles que vão te responder…

Passei a frequentar o Banco Central de Brasilia e a mesma coisa. O documento subia e descia escada todo o tempo e eu correndo atrás dele. Até que um dia, acredito que cansados da minha insistência, dia 25 de maio de 1992 me deram uma carta, não autorizando, mas não impedindo que o fizéssemos…lavando suas mãos e dizendo que eles não tinham o que opor, já que não estava na instância de fiscalização deles.

Até que fosse promulgado o marco legal em 1999, este foi o documento usado por dezenas de pequenas instituições de microcrédito no Brasil.