EU JURO, by Tânia Machado

VALDIR OLIVEIRA

25 de maio de 2009
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Valdir era responsável pelos projetos da Fundação Banco do Brasil com recursos do Ministério do Trabalho, oriundos do FAT.
Tínhamos um relacionamento com o Banco do Brasil – Agência Carijós, com um gerente geral (que esqueci o nome, quando lembrar volto e publico, ok?) no financiamento a artesãos.
Ele então nos chamou para discutir um projeto de levar o financiamento para os clientes do Proger, através das agências do Banco do Brasil, via Fundação Banco do Brasil.
Fomos então a uma reunião na Superintendencia do Banco na Rua Rio de Janeiro, onde lá estavam, se não me engano, o Valdir, o Rabelinho e o Romano. Quando foram explicando o que queriam, eu fui desenhando o projeto na minha cabeça e passando pra eles…Mas aquilo era muito maior do que já tínhamos executado. Tínhamos a competência, mas não tínhamos a experiencia de aplicação em larga escala.
Da cintura pra cima, eu estava perfeita…firme e decidida, mas da cintura pra baixo, debaixo da mesa, minhas pernas tremiam que nem vara verde…
Começamos então o projeto. Nós ficamos responsáveis por Minas Gerais e Brasilia e a Universidade pelo Paraná e uma cooperativa, que não me lembro o nome pelo Rio de Janeiro.
Quando chegou janeiro, tinha que haver um tempo para que a Fundação Banco do Brasil renegociasse o projeto com o MTE e aí informaram que iam suspender. Me recusei a faze-lo e disse que iria bancar o projeto até que eles retomassem. Brincava na epoca com o Romano de como uma Ong estava financiando o Ministério e o Banco do Brasil. Os outros parceiros do Paraná e Rio abandonaram o projeto…
Depois que eles retomaram me recompensaram pelas minhas perdas, mas o importante não era tão somente o dinheiro, mas o projeto em si que era e foi fantástico: foram mais de R$ 1 bilhão, isto mesmo UM BILHÃO, que emprestamos para mais de 100.000 pessoas neste Brasil.
Mas voltando ao Valdir, ele foi e é um amigo especial. Vivemos muitas coisas juntos…E foi amigo de verdade, daqueles que quando tem que “quebrar o pau”, quebrava…Quando tinha que elogiar…elogiava…nunca me deu moleza (e eu também nunca dei…rsrsrsrs). Amigo pra mim é assim mesmo…Aqueles que ficam o tempo todo elogiando e falando um monte de baboseira pra mim não é amigo. Não sou perfeita! Tenho falhas e muitos erros (graças a Deus…acho que perfeição deve ser um saco!…) e ele quebrava o pau…como ele também não é perfeito eram brigas homéricas, mas que cada dia mais fortaleciam o nosso relacionamento.
Agora, por causa das boas coisas que fez junto a Fundação, quando da nova gestão ele foi quase que perseguido e quando vemos que no projeto da Fundação Banco do Brasil – Sala do Empreendedor, operamos mais de R$ 20 milhões de reais e nunca nos beneficiamos nem com um chopp numa conta de restaurante, às vezes chego a questioná-lo: nao devíamos ter sido tão honestos…
Mas o Valdir tem o mesmo problema que eu: SUA MÃE.
A mãe dele igual a minha nos ensinou a ser FIEL, ser HONESTO e ser TRABALHADOR.
Valdir, quem sabe na próxima encarnação…nesta cara, vamos continuar a ser honestos, fieis e trabalhadores, nao conseguiremos ser outra coisa…
Vamos entao continuar com este nosso ideal de tentar fazer deste país um pais melhor de se viver, principalmente para o nosso público alvo…
Obrigada por me manter como sua amiga…

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MARIA DA FÉ

13 de maio de 2009
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Em 1998, se não me engano, o nosso vice governador Antonio Anastasia, era Secretário Geral do Ministério do Trabalho. Estive com ele e pedi apoio para um projeto que tínhamos acabado de lançar que se chamava Arte Estruturada. O objetivo era levar o modelo Mãos de Minas para outras cidades. Ele imediatamente viabilizou um projeto com o apoio financeiro do Ministério do Trabalho.
Fizemos uma parceria com o Sebrae Minas com o projeto de Turismo que era gerenciado por Fátima Trópia e colocamos as cidades dos roteiros turisticos como prioridade.
A Fatinha (era assim que a chamavamos), nos entregou uma série de cidades e entre elas estava Maria da Fé.
Fomos lá e voltamos com o seguinte diagnóstico: sinto…lá não tem nada…so uns panos de prato de gosto duvidoso.
Fatinha insistiu…voces tem que voltar e achar alguma coisa.
Muito desanimados voltamos…numa pensão que estávamos conhecemos o filho do dono que se chama Domingos Tótora…falamos com ele o nosso problema e ele disse que conhecia uma técnica de trabalhar a fibra de bananeira e se colocou a disposição para nos ajudar a encontrar um caminho.
Juntou um monte de pessoas da comunidade e começou a ensinar a trabalhar a técnica do uso da fibra de bananeira com residuos de papelão de supermercado…
Resultado: hoje Maria da Fé não é so conhecida como a cidade mais fria do Brasil, mas também é conhecida pelo artista plástico Domingos Tótora e pela cooperativa GENTE DE FIBRA que exporta para a Europa e EEUU produtos que encantam os compradores pela sua beleza e pela sua criatividade.
Não devemos desistir na primeira dificuldade…às vezes o resultado positivo ainda não teve a chance de se mostrar…


PRECONCEITO E AUTO ESTIMA

4 de maio de 2009
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patio-savassiO projeto com os meninos e meninas do Morro do Papagaio, financiado pela Fundação Banco do Brasil com recursos do Senaes e Ministério do Trabalho e Emprego agora deslanchou.
Já estamos com 42 adolescentes em sala de manhã e de tarde.
Amanhã eles vão em excursão no Patio Savassi, onde vamos discutir o preconceito e a auto estima. Este foi um assunto levantado por eles, pois nos primeiros dias, quando chegavam ficavam na porta do Centro Cape indecisos em entrar. Quando indagados o porque não subiam, eles espantados perguntavam: mas podemos ir entrando? O segurança não vai nos barrar? Ninguém vai nos acompanhar até a sala do terceiro andar? Querem revistar a nossa mochila? Quando nossas respostas eram que eles agora faziam parte do Grupo de Desenvolvimento e ninguém ia barra-los ou revistá-los, a principio eles ficaram super desconfiados, pois não estavam acostumados com este tipo de tratamento. Conversamos então sobre isto: até onde não são eles que criam os preconceitos? Por que eles sempre tem que pensar que “o outro” esta desconfiando deles? Que atitude devem tomar para si e frente os outros para neutralizar isto?
Então amanhã vamos ao Pátio Savassi, um dos shoppings mais chiques de BH. Vamos visitar lojas e eles vão lanchar. Nesta primeira semana de atividades, eles já mudaram a sua postura. Antes chegavam de chinelo, com boné virado pra trás, camisetas às vezes sujas…hoje chegam de banho tomado, de tenis ou sapato e cabelinhos penteados…ninguém mandou que ele fizessem isto…é a auto estima levantando…


SURDOS

2 de maio de 2009
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Uma vez, desenvolvemos a aplicação da Metodologia CEFE para pessoas que tem deficiência auditiva e usam a liguagem de Libras (linguagem de sinais) para se comunicar.
Tínhamos verificado que a maioria dos cursos oferecidos a este segmento eram cursos profissionalizantes nas áreas de informática, gráfica, e outros. Não existiam cursos de empreendedorismo, criação de negócios, gestão, enfim, ser empresário de sucesso.
Foi muito interessante, pois tudo era discutido e “falado” em libras e com isto formamos 15 multiplicadores com deficiência auditiva para poderem atuar no mercado. O projeto foi financiado pela Fundação Banco do Brasil com recursos do Ministério do Trabalho.
No último dia do curso, fomos a um restaurante para comemorar. Avisamos antes ao restaurante que eram pessoas que não escutavam, de forma que os garçons soubessem disto e não houvesse problema no atendimento.
No final, quando apresentaram a conta, colocaram 20 “couvert artistico”, pois segundo o maitre, haviam chamado um conjunto para tocar e animar a festa…
Foi uma briga para tirarem 15 do couvert artistico…Convencer o maitre que as pessoas que estavam lá não escutaram nada da música que foi tocada pelo conjunto que estava se apresentando…


SALA DO EMPREENDEDOR

2 de maio de 2009
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A metodologia de trabalho da Sala do Empreendedor era o crédito assistido. O cliente buscava a informação sobre o crédito, recebia a visita de um agente, discutiam a possibilidade de financiamento e preenchiam a documentação. O cliente participava de um treinamento, onde após ELE PROPRIO, elaborava seu plano de negócio, se comprometendo assim com as informações colocadas, a após receber o emprestimo era visitado pelo menos uma vez a cada tres meses, pelo agente que o atendeu.
Tiveram diversos casos de sucesso. O mais importante, para mim, era quando o cliente ia para o treinamento disposto a finalizar seu desejo de crédito e descobria no final que o momento não era aquele, ou que o risco era muito grande, ou que deveria mudar e adiar a decisão do crédito, enfim, eram centenas de motivos que os clientes desistiam ou adiavam a decisão. Em média, isto acontecia com 30% das pessoas.
Teve um caso, de um açougue, que antes do treinamento o cliente queria comprar um freezer e depois do treinamento, fez do seu estabelecimento uma “boutique de carne”, vendo assim uma forma de se mostrar diferente. Hoje ele é o maior sucesso em Brasilia.
Teve um outro que queria comprar um carro utilitário, mas no treinamento descobriu que seu problema era a logistica interna e não a entrega. Trocou por um computador e mudança do lay out do estabelecimento.
Tiveram diversas parcerias que eram feitas de pessoas que se conheciam durante os treinanamentos e viam que poderiam se completar trabalhando juntos…
Ou seja, mesmo que todos os mais de 100.000 pessoas que receberam crédito não tivessem uma historia diferente para contar, tiveram uma mudança de atitude após participarem da Sala do Empreendedor.


SALA DO EMPREENDEDOR

1 de maio de 2009
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Quase todos os dias lamento que o Governo Lula não tenha dado continuidade a Sala do Empreendedor.
De 1998 a 2003, foram 713.279 pessoas que atendemos, das quais 101.316 receberam emprestimos do Proger, em 115 agências do Banco do Brasil em todo o território brasileiro.
Foram R$ 1.008.514.131,39 o valor dos créditos concedidos.
Mais de 3.000 treinamentos realizados e quase 300.000 visitas aos clientes.
Era um banco de dados fantástico, pois quando o cliente recebia o crédito, durante todo o tempo de pagamento acompanhávamos com visitas trimestrais, assim tinhamos o perfil se os empregos gerados eram mantidos e se novos haviam sido criados.
O projeto era financiado pelo Ministério do Trabalho e Emprego, através da Fundação Banco do Brasil.
Fiz grandes amizades que perpetuam até hoje: Valdir, Heloisa, Fernanda, Romano, Silvio, Rabelinho, enfim, amigos que somos até hoje.
Muitos casos aconteceram neste período de cinco anos. Vou ir contando aos poucos.


MORRO DO PAPAGAIO

16 de abril de 2009
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Morro do Papagaio

Morro do Papagaio

Esta semana estamos começando um projeto no Morro do Papagaio em Belo Horizonte que acho que vai ser genial.
Será com 60 adolescentes que moram no Morro e a primeira tarefa deles será de levantar todo o lixo e resíduos que o Morro gera.
Depois pegaremos tudo isto, colocaremos numa sala e faremos uma Oficina de Criatividade para criar produtos que sejam vendáveis com o material recolhido.
Se o projeto der certo…e tenho a certeza de que vai dar…Estes meninos depois irão para outras comunidades para ensiná-los a trabalhar da mesma forma que eles aprenderam…
Este é mais um projeto financiado pelo Ministério do Trabalho – Senaes, via fundação Banco do Brasil.
Daqui a algum tempo dou mais noticias…