EU JURO, by Tânia Machado

DIA DO TRABALHO

3 de maio de 2014
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Estou divulgando um post que recebi de Stefan Salej que concordo plenamente…

Mais um feriado emendado com fim de semana, após uma semana de feriados. Algumas festas dos sindicatos dos trabalhadores são organizadas, patrocinadas na maioria das vezes por empresas estatais. No fundo, dinheiro público. Mas o fato é que apesar de o número de trabalhadores em atividades não governamentais ultrapassa em muito os do serviço público, são raros os países onde os sindicatos dos trabalhadores em empresas sejam mais fortes do que os do serviço publico.

Mesmo com algumas comemorações pelo mundo afora, nos Estados Unidos não se comemora 1. de maio como Dia de trabalho, e mesmo sendo dia de São José para os católicos, foi um dos primeiros do maio mais murchos que o mundo já viu. Festejar no final de contas o que? O estabelecimento de salário mínimo na Alemanha, que não o tinha até hoje? Um desemprego que não baixa na Europa e é especialmente grande na Espanha, Grécia, Portugal? Ou a melhoria da economia norte americana? O fato é que o mundo que sempre muda, mudou muito na área das relações trabalhistas. Mesmo que no Brasil tenhamos um governo de um partido dos trabalhadores, as questões que afetam trabalhadores não estão na pauta prioritária do governo deles mesmos.

O modelo econômico brasileiro ainda é baseado nos baixos salários, proteção social ilusória, porque nem saúde e nem educação funcionam a contento para o trabalhador e é enorme o custo fiscal sobre a mão de obra. Optamos por este modelo e não conseguimos sair dele. A cada dia que passa, o custo da mão de obra aumenta, os direitos trabalhistas são uma arvore de Natal em que o ano inteiro ficam perdurando enfeites lindos para os trabalhadores mas que na verdade são pesos para as empresas e uma ilusão de proteção social para o trabalhador. Sem falar na justiça do trabalho, que não protege nenhum dos dois, com raras exceções, mas que com certeza pensa que é a dona do mundo e age assim.

A festa do Dia do trabalho deveria nos levar pelo menos a refletir sobre o futuro escuro que nos espera nessa área. Uma economia injusta, que cuida bem das minorias, sejam raciais ou sociais, mas que cuida mal da maioria, que são os trabalhadores. Jamais seremos uma economia desenvolvida e competitiva com esse tipo de relações de trabalho que temos hoje. Mesmo a interferência do governo em área críticas, como consideram hoje a industria automobilística, com enorme custo fiscal, são ilusões de um ano eleitoral, mas não consistentes com uma política de desenvolvimento.

A Alemanha não é um pais desenvolvido só pela engenharia, disciplina e outros predicados, mas pelas eficazes e dinâmicas relações de trabalho. Há mais de dez anos fizeram uma comissão de 15 membros dirigida pelo diretor da Volkswagen, Sr. Hart e composta por representantes de toda a sociedade. Mudaram a legislação, o governo perdeu a eleição e ficou na historia. E nós não aprendemos nada.

Stefan B. Salej
2.5.2014.

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STEFAN SALEJ – 1989

20 de maio de 2009
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Conheci o Stefan quando ele foi eleito para a Presidência do Conselho Deliberativo do Sebrae, logo que tinha sido transformado de CEAG para Sebrae.
Ele chamou a Mãos de Minas e disse que gostaria de ver como poderíamos trabalhar juntos, já que ele acreditava muito no modelo de auto gestão do artesanato e dos serviços oferecidos.
Lembro bem que ele contou que quando chegou ao Brasil, me parece que seu pai fazia embutidos para vender e ele ajudava nas vendas nas filas de onibus sem nenhum apoio e que se, na época existisse a Mãos de Minas, ele talvez teria tido mais sucesso.
Aprendi muito com o Stefan…Aprendi a ousar, a acreditar no nosso potencial. Aprendi que se voce acredita no que quer deve levantar a cabeça e ir atrás de seu ideal.
Uma vez ele adquiriu um stand para a gente na FENIT (a maior feira da moda que acontecia no Brasil na época) e fomos nos com um stand de 9m2 com montagem básica, perto daqueles stands gigantescos com montagens de Hollywood. Voltei e falei para ele que não queria voltar mais, pois a gente era pequeno demais para aquele ambiente. Ele disse: Tãnia, se voce não pensar grande as pessoas nunca vão te valorizar…
Na criação do Centro Cape em 1994 ele foi fundamental. Apesar da expectativa dele era outra (na epoca ele já tinha na cabeça a criação da Escola Gerencial do Sebrae e ele queria que a gente pensasse no assunto, mas não captamos a mensagem dele). Mesmo assim, ele nos ajudou, fez com o recem criado Centro Cape um convênio de prestação de serviços em treinamento que nos viabilizou a implementação do Centro Cape. Nos deu a oportunidade de realizar o I Salão de Oportunidades do Sebrae que nos deu visibilidade.
Em 1991, foi a primeira instituição que patrocinou a Feira Nacional de Artesanato.
Durante o tempo que esteve a frente do Sebrae, nunca nos negou ajuda, mas as cobranças eram implacáveis. Nunca nos deu moleza. A cada ajuda ele lembrava que éramos EMPRESÁRIOS, empresários da área artesanal, tudo bem, mas tínhamos que ter sempre a postura de empresários.
No Encontro Mundial CEFE que realizamos em 1996 no Brasil ele já estava na Fiemg e também nos ajudou cedendo o Nansen Araujo para que o evento acontecesse. A realização deste encontro deu ao Centro Cape a chance de ser declarado o Centro de Referência da metodologia Cefe para os paises de lingua portuguesa.
Tive muitas brigas com ele, algumas sérias, outras menos. Todas vezes que brigávamos eu lembrava a ele que estava aplicando justamente seus primeiros ensinamentos que “se acreditamos nunca coisa devemos ir até as últimas consequências para atingí-las, mesmo que para isto tivéssemos que brigar com os amigos”.
Hoje ele esta morando na Europa…algumas vezes vem ao Brasil e pouquissimas vezes a gente se encontra. Tenho saudades de nossas brigas, rsrsrs